Comissão Nacional da Verdade se reúne segunda-feira na OAB do Rio

A Comissão Nacional da Verdade irá se reunir, nos próximos dias 13 (segunda-feira) e 14 (terça-feira), na sede da Seccional da OAB do Rio, onde fará audiência pública com vítimas, parentes de vítimas e comitês da verdade e mesa redonda sobre a ditadura e sobre os centros de tortura e morte no Rio de Janeiro. 

Na ocasião, o presidente da Seccional, Wadih Damous, irá entregar ao coordenador nacional da Comissão, ministro Gilson Dipp, os depoimentos colhidos pela Comissão da Verdade da OAB-RJ e que tratam, especificamente, de arbitrariedades cometidas pela Justiça Militar contra presos políticos.

O primeiro dos depoimentos colhidos pela Seccional foi do militante Cesar Benjamin, preso quando tinha 17 anos - portanto, menor de idade - mas considerado pela Justiça Militar com idade mental de 35 anos como forma de justificar sua prisão. Damous apresentará,ainda, a campanha que a Ordem fluminense desenvolverá nos próximos meses a fim de incentivar a criação nos mesmos lugares onde funcionaram na ditadura centros de torturas, como o antigo Doi-Codi (Tijuca) e a Casa da Morte (Petrópolis) em memoriais, centros de debates e manifestações culturais de reafirmação dos valores do Estado Democrático de Direito.

O período da manhã de segunda-feira será dedicada a um encontro com famílias de vítimas da ditadura militar. À tarde, uma mesa redonda reunirá advogados, historiadores e ex-presos políticos para um debate acerca das origens do golpe de 1964, além da futura destinação de imóveis usados na época como centros de torturas. No dia 14, a Comissão de Verdade realiza reunião de trabalho, a exemplo do que fez em São Paulo e Goiânia. "Mas aqui no Rio, não será mais uma. Este foi um estado que sofreu repressão massiva, generalizada, de uma maneira muito particular. Aqui foram usados navios e até um estádio para presos políticos", lembrou a advogada Rosa Cardoso, uma das integrantes da Comissão Nacional da Verdade.