Policiais federais e policiais rodoviários, em greve, afetam a vida dos cidadãos

PRF protesta em rodovias federais e trânsito fica complicado em diversas vias do país

Em busca de reajustes salariais e reestruturação dos planos de carreira, policiais federais estabeleceram operação padrão no setor de embarque internacional no Aeroporto Tom Jobim, na Ilha do Governador (Zona Norte), na tarde desta quarta-feira (8/8). A emissão de passaportes foi interrompida e somente casos de emergência foram atendidos. Segundo agentes, dos 300 agendamentos diários, em média, menos de 10% foram realizados.

O presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Telmo Correa, afirmou que o procedimento será repetido nesta quinta-feira. Segundo o dirigente sindical, a medida foi adotada para mostrar que o número de policiais federais é insuficiente.

“A operação padrão nada mais é do que a obediência aos protocolos de revista e verificação de documentos estabelecidos pela Polícia Federal. Porém, como não há pessoal suficiente, são formadas filas no setor de embarque”, explicou. “A greve foi aderida essencialmente pelos papiloscopistas, escrivães e agentes. Esses cargos tiveram aumento de atribuições, mas o governo não pagou por isso. Há três anos lutamos pelo aumento, que deveria ser de 30% a 50%”.

Cerca de 50 policiais federais reuniram-se no Galeão com faixas para protestar por melhores salários. Eles pediam a saída do diretor-geral da corporação, delegado Leandro Daiello Coimbra.

“O diretor-geral atende apenas os delegados federais. Ele sequer ouve as reivindicações dos agentes, escrivãos e papiloscopistas”, disse Telmo Correa.

As ações dos policiais grevistas, porém, atrapalharam a vida de alguns. O estudante de biotecnologia Luis Carlos Moreno Fernandez, que foi buscar seu passaporte, mostrou preocupação com a não obtenção do documento.

“Vou estudar em Coimbra, Portugal, e preciso do passaporte para dar entrada em alguns procedimentos burocráticos. Fico com medo de perder esta grande oportunidade na minha vida acadêmica”, lamentou.

Ainda no Rio, 97 delegados paralisaram as atividades, apenas nesta quarta-feira, para demonstrar que estão mobilizados reivindicando uma recomposição salarial. Nota do  Sindicato dos Delegados de Policia Federal do Rio de Janeiro (SINDPF/RJ) esclarece que o grupo busca os mesmos “índices de reajustes aos reivindicados pelos magistrados”. 

De acordo com o presidente do SINDPF/RJ, Andre Diniz, os delegados são submetidos à carga de trabalho superior as 40 horas semanais. 

“Se a PF efetua prisões em flagrante 24 horas por dia ao longo de toda a fronteira e interior do país é porque os delegados e policiais federais se submetem a regimes de trabalho que extrapolam o de 40h semanais, concorrendo rotineiramente a escalas extraordinárias de serviço", disse o presidente do SINDPF/RJ.

Rodovias federais viram palco de protestos da PRF

As reivindicações trabalhistas não ficaram restritas ao Aeroporto. Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizaram blitzes nos dois sentidos da Ponte Rio-Niterói, na tarde desta quarta-feira (8), como protesto para chamar a atenção para as demandas da categoria. A interdição de duas pistas em cada lado da via provocou congestionamento tanto nos acessos à Ponte, em Niterói, como para quem saiu do Rio de Janeiro. Reflexos foram observados até o início da noite.

Marcelo Novaes, presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais no Rio de Janeiro, falou sobre as reivindicações da categoria."

“É uma manifestação nacional, que não visa a greve e sim uma maneira de dar visibilidade ao que queremos. Continuamos a colocar os policiais para atender as emergências, mas o foco é mostrar que o nosso trabalho é efetivo e importante. Nosso efetivo é muito baixo e não temos plano de carreira. Queremos corrigir isso", declarou.

Em São Paulo, os agentes fizeram uma blitz na manhã desta quarta-feira na altura do km 208 da rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. A manifestação provocou um congestionamento de 10 km no sentido Rio de Janeiro, por volta das 11h. Uma faixa da via Dutra permaneceu fechada até o meio-dia, quando se encerrou o protesto.

Em Pernambuco, a BR-232 foi fechada nos dois sentidos para uma "Blitz educativa", na qual os policiais pararam os carros para explicar os motivos da insatisfação da categoria. Em Betim, Minas Gerais, 30 agentes pararam a BR-381, na altura de um posto da corporação, na manhã desta quarta-feira.

Em Londrina, inspetores da Polícia Rodoviária Federal no Paraná realizaram manifestações em Londrina, Curitiba e Foz do Iguaçu.Em Londrina os trabalhos se concentraram em uma fiscalização na BR-369.

Na Bahia, uma manifestação causou 10 km de congestionamento na manhã desta quarta-feira, na BR-324.

No Rio Grande do Sul, manifestações foram realizadas na BR-390 e na  BR-392 durante todo o dia. Representantes da categoria estão em Brasília para iniciar negociações com o governo federal. Houve também fiscalizações rigorosas na BR-020, BR-040 e BR-060.