Servidores federais em greve prometem intensificar movimento

Polícia Federal só está emitindo os passaportes de urgência

O Sindicato de Policiais Federais do Rio de Janeiro anunciou, nesta terça-feira (7), que a categoria estabeleceu operação padrão nos portos e aeroportos do estado. Sete delegacias descentralizadas da PF devem paralisar as atividades. A decisão contribui, segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), para que o número de funcionários da união em greve chegue a cerca de 400 mil. 

De acordo com a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), apenas os passaportes de urgência estão sendo emitidos. Em Porto Alegre, por exemplo, a emissão caiu hoje (7) de 300 para 20. Em São Paulo, a federação estima uma queda de 30% na média de 2.000 passaportes emitidos no estado.

Insatisfeitos com a postura do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão (MPOG), responsável pelas negociações, o movimento grevista promete intensificar suas ações reivindicatórias. Secretário do Condisef, Sergio Ronaldo da Silva garantiu que, na próxima semana, entre os dias 13 e 17 de agosto, Brasília receberá milhares de servidores de todo o Brasil, que acamparão na Esplanada dos Ministérios.

"Desta vez não farão conosco o que fizeram no ano passado, quando empurraram a negociação com a barriga até o final de agosto [31 de agosto é a data limite para o envio do Projeto de Lei do Orçamento ao Congresso Nacional], e empurraram uma proposta goela a baixo, sem qualquer tipo de negociação", disse o dirigente. "Cada vez mais o movimento cresce e novas categorias aderem. Marcharemos e faremos muito barulho. O MPOG tem que negociar conosco".

Segundo Sergio Ronaldo, o MPOG parece não ter condições de mediar as negociações entre servidores e União.

"O MPOG mais parece a rainha da Inglaterra. Muita pompa, mas não resolve nada", comparou. "Este movimento grevista é o mais consistente dos últimos anos, e mesmo assim não nos ouvem. Mas eles terão que negociar conosco, não há outra saída".

O MPOG, através de sua assessoria de imprensa, afirmou que já sentou para negociar com o Condsef, e que todas as propostas foram discutidas com as categorias paralisadas. No entanto, disse que se todas as demandas dos grevistas fossem atendidas, o impacto no orçamento seria de R$ 60 bilhões, valor classificado como inviável no momento econômico brasileiro, que observa queda na previsão do PIB e reflexo da crise financeira internacional. 

Com algumas categorias em greve desde maio, outros setores do funcionalismo federal aderem ao movimento a todo instante. Além dos policiais federais, servidores do Banco Central, Imprensa Nacional, e fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura anunciaram paralisação esta semana. Policiais rodoviários federais estão em operação padrão.

As quatro universidades federais sediadas no estado do Rio, em greve desde 17 de maio, não iniciarão as aulas do segundo semestre. Em todas as instituições o calendário de atividades está suspenso e será retomado apenas após o término das paralisações.