Cachoeira depõe sobre fraude em bilhetagem do transporte do DF

O contraventor Carlinhos Cachoeira presta depoimento a partir das 14h desta quarta-feira na 5ª Vara Criminal de Brasília, no processo que investiga as fraudes no sistema de bilhetagem do transporte público da capital federal.  Outras sete pessoas são acusadas pelo Ministério Público, entre elas o ex-diretor da Delta Construções Cláudio Abreu.

Segundo os promotores, o grupo de Cachoeira tentou forçar uma dispensa de licitação para a contratação de um sistema de bilhetagem sul-coreana, operado por uma única empresa ligada à quadrilha.

Em depoimento no Congresso Nacional em junho, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, confirmou a tentativa de fraude.

Cachoeira está preso desde fevereiro em decorrência de dois mandados de prisão: um é resultado da Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal, e outro da Operação Saint Michel, da Polícia Civil e do Ministério Público do DF.

Nesta terça-feira, o escritório do jurista e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos anunciou que deixa oficialmente a defesa de Carlinhos Cachoeira. A saída será protocolada no processo em curso na Justiça, sem pronunciamento formal.

A detenção de Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira — que tentou chantagear o juiz federal de Goiânia — foi a "gota d'água" de uma situação crítica que se alongava já há algumas semanas. Recentemente, uma advogada do escritório de Thomaz Bastos, Dora Cavalcanti, foi agredida verbalmente por Cachoeira. Segundo advogados da equipe, não há previsão de pagamento por ressarcimento ao réu.

O empresário-contraventor, que responde agora a processo criminal na Justiça federal, é acusado de comandar um esquema de jogos ilegais e de corrupção de agentes públicos. Na segunda-feira, sua companheira foi detida sob suspeita de tentar corromper o juiz responsável pela Operação Montecarlo, que resultou na prisão do empresário.

Andressa prestou depoimento e pagou fiança de R$ 100 mil para ser liberada. Segundo o juiz federal Alderico Richa Santos, Andressa o ameaçou com a divulgação de um dossiê contra ele caso a prisão de Cachoeira não fosse revogada. O documento, segundo ela disse ao juiz, estaria nas mãos de um jornalista da revista Veja sob o qual Cachoeira teria influência. A revista negou as insinuações e prometeu processar quem levantou calúnia contra o seu repórter.