PF apreende documentos de ONG de ex-jogadora de basquete 

Campinas - A Policia Federal de Campinas em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU) cumpriu 7 mandados de busca e apreensão e recolheu uma grande quantidade de documentos, computadores, pen drive, cópias de contratos na sede da ONG Pra Frente Brasil, em Jaguariúna, interior de São Paulo, que é dirigida pela ex-jogadora de basquete e vereadora de Jaguariúna, Karina Rodrigues (PC do B), na manhã desta terça-feira.

Karina e as empresas prestadoras de materiais esportivos e produtos alimentícios (Esporte e Ação Comercio de Artigos Esportivos, Marcelo Vilalba EPP e RNC Comércio de Produtos Alimentícios) são investigadas pela CGU desde outubro do ano passado quando surgiram suspeitas de mal uso de recursos oriundos do Ministério do Esportes do Programa Segundo Tempo do Governo Federal. A Pra Frente Brasil deveria desenvolver atividades esportivas educacionais entre crianças, adolescentes e jovens a partir de convênio com prefeituras em quase 20 cidades do interior de São Paulo.

Segundo o delegado da PF, Jessé Coelho de Almeida, entre 2007 a 2011 a ONG recebeu do Ministério dos Esportes, cerca de R$ 30 milhões, além de mais uma contrapartida de R$ 3,5 milhões. Segundo inquérito também apurado pelos Ministério Publico Estadual e MP Federal, o número de atendimento era menos daquele declarado pela ONG, além da má qualidade dos materiais.

"Há indicios de vínculo entre pessoas que trabalharam nas empresas fornecedoras da ONG e a entidade, a desproporcionalidade entre o material esportivo comprado e a estrutura física dos locais de treinamento", disse o delegado em entrevista coletiva na sede da PF em Campinas.

Outros pontos apresentados pela investigação são prováveis irregularidades em pagamentos adiantado aos fornecedores, a falta de aplicação de recursos não utilizados e o sumiço de 1.547 bolas de futebol. "Os endereços das empresas são os mesmos dos empresários o que a principio pode configurar empresas de fachadas", afirmou Almeida.

Outras questões que levantam dúvidas é a troca da diretoria da ONG por diversas vêzes entre pessoas muito próximas da vereadora Karina, em geral parantes. De acordo com Almeida, todos os documentos apreendidos serão analisados pelos técnicos da Policia Federal em conjunto com os da CGU.

16 investigados

Segundo o chefe da CGU-SP, Carlos Eduardo Girão de Arruda, 16 pessoas ligadas a ONG serão convocadas para prestarem esclarecimentos. "São funcionários, parentes, prestadores de serviços, ex-dirigentes que devem explicações", comentou Arruda. De acordo com ele, a apuração começou no final do ano passado depois que foram encaminhadas ao orgão documentos a partir de investigações já iniciadas pela Ministério Publico Estadual através do GAECO, que remeteu ao Ministério Publico Federal que chegou até a controladoria.

"As suspeitas ficam mais latentes após o recadastramento das ONG e surgiram um grande números de problemas", disse Arruda. O chefe da CGU-SP não quis comentar em que estágio a apuração está concentrada mas revelou que em questão de três meses uma força tarefa deve analisar os documentos e confrontar com as informações já levantadas.

Arruda falou que outras ONGs que firmaram convênio com o Programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte durante a gestão do ex-ministro Orlando Silva estão sendo levantadas mas a principio não poderia revelar em qual estágio isso está sendo processado.

A ONG encerrou as atividades no final de 2011. A vereadora Karina não foi encontrada pela reportagem do Terra para dar sua versão. Mais cedo, ela falou com a Rádio CBN de Campinas e disse que está auxiliando e aguarda a apuração das investigações. Ela negou qualquer irregularidade, afirmou que neste momento está sendo investigada e não processada pelos órgãos de fiscalização e que quer a oportunidade de se defender já que nunca foi convocada para qualquer depoimento.