Suposto laranja chora e diz que sofre por ter amizade com Cachoeira 

Apontado como laranja do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Gleyb da Cruz chorou durante depoimento nesta quarta-feira à Justiça Federal em Goiás. Ele fez, em suas próprias palavras, "um desabafo" sobre a "humilhação" que vem sofrendo junto com sua família por ter "amizade com uma pessoa que é pública", referindo-se ao contraventor.

"Vendo o que tem acontecido desde o início, eu não creio que o Ministério Público queira desvendar a verdade. Eu fui tirado da minha casa cinco meses atrás. Foi me imputado prisão preventiva", disse.

"Só entendo que aprendi que não há justiça dentro da Justiça", afirmou o réu, com a voz embargada. Gleyb chorou ao relatar o período em que ficou detido "tendo de conviver com marginais, estupradores, traficante". "Eu não tenho em quem acreditar, porque meu dia tem sido se eu penso que vale a pena viver ou não. Minha esposa, quando vai me visitar, tem de passar por humilhação", relatou.

Gleyb da Cruz, a exemplo dos demais réus, usou o direito de permanecer calado sobre as questões pertinentes ao seu suposto envolvimento na quadrilha de Carlinhos Cachoeira.

Direito de ficar em silêncio

Réus no processo originário da operação Monte Carlo da Polícia Federal, Lenine Araújo de Souza, Wladimir Garcez, Gleyb da Cruz, Carlinhos Cachoeira, Idalberto Matias de Araújo, José Olímpio de Queiroga Neto e Raimundo Washington de Queiroga e Sousa não falaram em juízo.

Eles responderam a perguntas triviais, obrigatoriamente feitas pelo magistrado, mas, quando interrogados sobre participação na quadrilha de jogos ilegais, preferiram manter o silêncio. Após a oitiva das testemunhas, o juiz federal Alderico Rocha Santos concedeu 20 minutos para que cada réu conversasse com seus clientes.