Delegado do caso engenheira diz que cena do crime foi maquiada 

O delegado Marcos Reimão, que atuava na Delegacia Anti-Sequestro quando Patrícia Amieiro desapareceu, disse durante depoimento na tarde desta sexta-feira que o local onde foi encontrado o carro da engenheira foi maquiado.

"O banco do carro foi encontrado reclinado e não podia voltar à posição normal por causa de um amassado na lataria. Ele foi reclinado porque o cinto de segurança ficou afivelado e seria impossível remover o corpo da Patrícia na posição normal. Também havia um orifício no parabrisa do carro e um deles jogou uma pedra de 8 kg no vidro para estilhaçá-lo", disse Reimão.

O delegado comentou também que achou muito estranha a postura dos policiais militares que atenderam a ocorrência. "Cinco viaturas da PM compareceram ao local de um acidente com apenas uma vítima. Isso não costuma ocorrer. Segundo relatos, os policiais estavam muito nervosos, um deles chegou até a precisar de atendimento médico. Eles também ligaram para os peritos para saber da perícia. Policial nenhum faz isso normalmente."

Depois do depoimento de Reimão, a juíza Ludmila Lins da Silva está tomando um novo depoimento dos quatro réus, que podem ser levados a júri popular. Os cabos William Luis do Nascimento e Marcos Paulo Nogueira são acusados de homicídio doloso, enquanto Márcio de Oliveira Santos e Fabio Santana por ocultação de cadáver. Eles chegaram a ser presos, mas conseguiram a liberdade por decisão da Justiça.

O caso

A engenheira Patrícia Amieiro Franco, 24 anos, desapareceu na madrugada do dia 14 de junho de 2008. Ela saiu de uma casa de shows no morro da Urca, zona sul do Rio, e seguia para a casa dos pais, onde morava, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. As imagens das câmeras de segurança mostraram o momento em que Patrícia deixou a boate. Desde então, ela nunca mais foi vista.

No ano passado, a Justiça declarou a morte presumida da jovem. Para a perícia, o veículo foi alvejado e Patrícia perdeu o controle da direção. Uma investigação da Polícia Civil concluiu que os tiros saíram de armas de PMs, que perseguiram a engenheira e atiraram porque ela não parou o carro.