Uma escolta armada envolvendo policias federais e agentes penitenciários levará o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, nesta terça-feira ao Congresso Nacional. O homem que dá nome à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista será ouvido no Senado às 14h, na sala 2 da Ala Nilo Coelho. O depoimento mais esperado, contudo, pode não revelar nada.
O depoimento estava inicialmente marcado para o dia 15, mas foi adiado por decisão liminar do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Cachoeira foi à Suprema Corte para impedir que seu cliente depusesse, alegando que não conhecia o teor da investigação sigilosa. Após a decisão do ministro, a CPI liberou os dados para os advogados de Cachoeira. Márcio Thomaz Bastos, que defende o contraventor, já avisou que seu cliente ficaria em silêncio caso a defesa não tivesse acesso integral aos documentos em poder da CPI.
Na última sexta-feira, Bastos pediu que Celso de Mello mantivesse a liminar até que a defesa tenha total conhecimento das informações, mas a solicitação foi negada. A defesa afirmou que precisaria de três semanas para analisar as 15 mil páginas e cerca de 90 mil áudios da investigação e reclamou que há inconsistência de dados entre os 10 computadores que foram colocados na sala-cofre da comissão para consulta aos documentos.
Uma viatura da Polícia Federal fará o transporte do bicheiro do Complexo Penitenciário da Papuda até o Congresso, uma distância de pouco mais de 20 km. O trajeto, porém, não foi divulgado por questões de segurança, assim como o aparato policial que será usado na operação. Ela será executada pelo Departamento Penitenciário Nacional, órgão do Ministério da Justiça. Quando chegar às dependências do Senado, a Polícia Legislativa dará sequência à escolta.
Cachoeira está preso na Papuda desde o dia 18 de abril, quando foi transferido do presídio de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Na quinta-feira, a comissão ouve seis pessoas, entre eles o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá, que seria espião do grupo de Cachoeira. Também depõem Lenine Araújo de Souza, apontado como gerente do jogo do bicho e responsável pela contabilidade; Jairo Martins de Souza, também apontado como espião; José Olímpio de Queiroga Neto, que seria gerente da organização no entorno do DF e um dos responsáveis pelo pagamento de propina; Gleyb Ferreira da Cruz, apontado como laranja dos negócios de Cachoeira; e Wladimir Henrique Garce, ex-vereador que facilitaria os contatos do grupo com agentes públicos.
Os depoimentos à CPI começaram dia 8, com o delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques de Souza, que confirmou o envolvimento de parlamentares com a organização criminosa comandada por Cachoeira.