ASSINE
search button

OAB rebate críticas de militares ao nome de advogada na Comissão da Verdade

Compartilhar

O presidente da OAB do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous, rebateu hoje (17) as críticas de um grupo de militares inconformados com a indicação pela presidenta Dilma Rousseff de sua advogada durante o período em que ela esteve presa na cela da Torre das Donzelas, no presídio Tiradentes, em São Paulo, nos anos 70, para integrar a Comissão da Verdade. 

"O fato da advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha ter atuado em defesa da então presa política Dilma Rousseff não é sinônimo de falta de isenção". E destacou: "Dos militares o que se espera é colaboração e não hostilidade a este momento tão importante da história do Brasil".

Rosa Maria defendeu vários presos políticos e não apenas a presidenta Dilma Rousseff. "Exatamente por ter tido acesso a fatos e pessoas daquele período sombrio é que a credencia para integrar a Comissão", garantiu o presidente da Seccional da OAB do Rio de Janeiro. 

"Todos os nomes que integram a Comissão são respeitados pelas entidades de defesa dos direitos humanos. Além disso, o grupo reúne integrantes de governos anteriores e essa pluralidade é saudável para uma comissão que deve ser de Estado, compromissada com sua função de resgatar fatos acontecidos e crimes cometidos por agentes públicos durante a ditadura, apontando responsáveis pelas mortes e desaparecimentos políticos", afirmou.

Damous fez questão de deixar claro que "no inexorável caminho de resgate da memória e da verdade, não cabem intenções de revanchismo, tanto quanto soam descabidas dúvidas sobre o foco das apurações a serem conduzidas pela comissão". Lembrou, no entanto, que a composição reduzida e o exíguo prazo de dois anos para a consecução da tarefa já são motivos suficientes de preocupação.

"Há sombras demais, vácuos de informação sobre aqueles tempos sombrios. Serão necessários o apoio e a colaboração da sociedade para que o resultado final traga alguma justiça, ou satisfação, a tantas famílias de perseguidos políticos que pagaram caro por sua luta em prol das liberdades democráticas".

Por fim, o presidente da OAB destacou o compromisso institucional da Seccional do Rio de Janeiro da OAB em favor do "pleno conhecimento dos fatos criminosos que mancharam as páginas de nossa história e continuará a empenhar esforços para que um dia possamos enfim promover a verdadeira reconciliação nacional". E concluiu: "o objetivo de investigar fatos e crimes cometidos por agentes públicos na ditadura está claro na lei".