ASSINE
search button

'Não existe isso aqui', diz Perillo sobre propina em seu governo 

Compartilhar

Goiânia - Durante entrevista coletiva concedida após reunião com secretários no Palácio das Esmeraldas, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), garantiu nesta quarta-feira que, em seu governo, não há tolerância com a corrupção. "Não há uma ação no governo que tenha sido marcada por qualquer ilicitude ou qualquer ilegalidade. Aqui em Goiás, nós abolimos a corrupção que existia anteriormente, abolimos a propina no governo. Não existe isso aqui."

Marconi Perillo disse que não tem medido esforços para garantir a seriedade do governo e o desenvolvimento do Estado.

O governador demonstrou irritação com a imprensa por causa da divulgação das suspeitas de sua ligação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Marconi insinuou que há exagero em algumas das publicações.

"Tem tanta conversa fiada por aí, tanta leviandade, tanta maldade, que a gente acaba nem dando confiança para isso. O que eu posso dizer é que a verdade virá à tona. Eu tenho muita tranquilidade em relação a tudo que foi feito no governo", afirmou o tucano.

Marconi ainda sugeriu que outros Estados adotassem o modelo de gestão implantado durante a sua administração em Goiás. "Eu gostaria que os outros Estados copiassem esse modelo de gestão transparente e absolutamente ética", disse.

Carlinhos Cachoeira 

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir ouros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.