Simon teme que CPI se restrinja à política e não puna empreiteiros

Em discurso no Senado nesta sexta-feira (20), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) se pronunciou sobre a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará ligações políticas do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Simon expressou a sua preocupação quanto ao conteúdo das investigações que, segundo sua opinião, poderiam ser ineficazes no combate aos ‘corruptores’. Ele afirma que, certamente, o ‘corrupto’ – no caso, os representantes do poder público envolvidos no esquema – será punido, mas acredita que o ‘corruptor’ seguirá sua trajetória de impunidade.

“De uma coisa a gente já sabe: essa CPI vai atingir, provavelmente, o Senador Demóstenes, vai atingir muita gente, mas nenhum empreiteiro. É por isso que essa situação é muito delicada”, discursou. “Corrupção pode existir, para cadeia não vai ninguém. O Brasil, repito mil vezes, é o País da impunidade”, vociferou Simon.

O parlamentar contextualizou que durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso entrou com o pedido de instalação da CPI dos corruptores, mas o então presidente impediu o avanço Comissão. Ele contou que desde a época entrou proposições para a criação da CPI, mas nunca conseguiu realizá-la. 

Ainda, lembrou que quando houve o impeachment do ex-presidente Fernando Collor, ele participou da criação da CPI dos Ações do Orçamento, na qual dezenas de parlamentares foram processados e outros cassados, mas nenhum 'corruptor' sofreu as devidas consequências. 

Marcha Contra a Corrupção

Simon aproveitou para demonstrar seu apoio à III Marcha Contra a Corrupção, que acontecerá neste sábado (21), às 10 horas, em frente ao Museu da República, em Brasília. Ele recordou a força das redes sociais e da mobilização popular para pressionar as autoridades a agirem.

"Amanhã os jovens vão para a rua para cobrar da CPI. As CPIs ultimamente têm sido motivo de ridículo, dão em zero, fazem um arreglo e não apuram coisa nenhuma. Mas, as CPIs já viveram grandes momentos na história deste Congresso. Hoje, vivem os seus piores momentos", disse.