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Ex-superintendente da Susep, Armando Vergílio questiona matéria do JB

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Carta do deputado Armando Vergílio (PSD-GO) referente à matéria deste jornal sobre a venda do Hotel Nacional ("Hotel Nacional: as digitais de Carlinhos Cachoeira no Rio de Janeiro"), que pertencia ao empresário Arthur Falk e foi leiloado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão do Ministério da Fazenda. 

"Em razão do teor da inverídica, infundada, tendenciosa e despropositada matéria “Hotel Nacional: as digitais de Carlinhos Cachoeira no Rio de Janeiro”, publicada na edição digital do Jornal do Brasil, em 16 e 18 de abril de 2012, abordando o leilão e a venda do Hotel Nacional, ocorridos na observância e absoluta legalidade, no ano de 2009, pretendendo vincular, agora, de forma insidiosa e mentirosa, esses fatos com a minha pessoa e com a minha campanha eleitoral para o cargo de Deputado Federal, que transcorreu regularmente, venho a público, e sinto-me na obrigação, em respeito aos meus eleitores, relatar a verdade dos fatos e esclarecer o que se segue:

l. A venda do Hotel Nacional, localizado na cidade do Rio de Janeiro, imóvel então fechado há 14 (quatorze) anos, ocorreu em dezembro de 2009, através do segundo leilão público, de forma transparente e cercado de todos os cuidados legais, constituindo-se, na realidade, em um grande avanço e interesse para a própria Prefeitura e para a Cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista a possibilidade de sua completa recuperação, como importante e tradicional unidade hoteleira, e o quadro adverso existente à época, que era de completo abandono, destruição e de invasão e, por conseguinte, natural desvalorização gradativa e crescente do seu valor patrimonial.

2. Ao contrário do teor da mentirosa e equivocada matéria, cujo autor sequer me ouviu ou procurou-me para fazê-lo – prática esta básica, democrática e recomendada à boa ética profissional jornalística – que, aliás, estranho muito, pois, quem na verdade cuidou e realizou todos os procedimentos administrativos e legais para a efetiva realização do leilão, e consequente venda do Hotel Nacional foi, conforme determina a legislação da área, a Interunion Capitalização S/A Em Liquidação Extrajudicial, sua proprietária, através do seu liquidante, no caso vertente, o Sr. José Emílio Carvalho Quintas, ou seja, não foi a Susep quem procedeu e conduziu os dois leilões e, muito menos vendeu o Hotel Nacional.

3. No âmbito da Diretoria da Susep, coube, por pertinência, somente ao então Diretor de Fiscalização da Susep, Sr. Waldemir Bargieri, que foi nomeado por indicação pessoal do Ministro Guido Mantega – por ser pessoa da sua mais absoluta confiança, relacionamento pessoal e integrante histórico dos quadros do Partido dos Trabalhadores (PT) – tratar deste assunto, notadamente com as áreas técnicas e especializadas da Autarquia, tendo sido dele, inclusive, a escolha do liquidante (Sr. José Emílio Carvalho Quintas).

4. O Sr. Waldemir Bargieri, em função das suas atribuições e competências, legais e regimentais, acompanhou, analisou sobre os aspectos técnicos e emitiu parecer favorável nos autos do Processo nº 15414.000572/2009-41, para que o liquidante tomasse as medidas necessárias e efetivasse, então, a venda do Hotel Nacional, através de realização de leilão público, obedecendo, assim a legislação pertinente.

5. Todos os procedimentos legais relativos ao leilão público do Hotel Nacional foram acompanhados pela Advocacia Geral da União (AGU), através da Procuradoria Federal lotada na Susep e pelo Ministério Público, este, inclusive, pessoalmente intimado nos termos do § 7º, do art. 142, da Lei nº 11.101/2005. Após mais de dois anos da venda do imóvel, se houver ou pairar ainda alguma dúvida e/ou questionamentos, é de bom alvitre que seja, então, instado o Ministério Público para abrir o devido procedimento investigatório a respeito deste assunto, medida esta que conta, desde já, com o meu integral e total apoio.

6. Os avisos de licitação – leilão do Hotel Nacional, então pertencente à Interunion Capitalização S/A Em Liquidação Extrajudicial, foram regularmente publicados no Diário Oficial da União – Seção 3, edições nº 171 e nº 219, respectivamente em 08 de setembro de 2009 (págs. 157/158) e 17 de novembro de 2009 (págs. 224/225), respeitando-se o princípio da impessoalidade e publicidade.

7. Sobre as demais citações e inconsistências da matéria, esclareço que, desincompatibilizei-me do cargo de Superintendente da Susep para concorrer a uma vaga na Câmara Federal, dentro do prazo legal, sendo estranho, ao contrário da falaciosa matéria, que uma pessoa militante no mercado de seguros há 27 (vinte e sete) anos não receba qualquer apoio do setor, que, inclusive, da mesma forma, apoiou outras tantas candidaturas no mesmo pleito.

8. Todas as doações realizadas para a minha campanha respeitaram rigorosamente todos os ditames legais, foram oficiais e devidamente declaradas, registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral, sendo de domínio público estas informações, nos sites do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás e do Tribunal Superior Eleitoral.

9. Declaro, peremptoriamente, que não tenho e nunca tive qualquer ligação pessoal, profissional ou comercial com o Sr. Carlos Cachoeira, citado na matéria, sendo maldosa, infundada e inverídica qualquer ilação nesse sentido.

10. Repito: uma montagem falaciosa e sem o menor lastro na verdade não irá me intimidar, e muito menos me abalar, por não serem absolutamente verdadeiras, resultará, de forma infrutífera, qualquer tentativa de me associar a fatos ou pessoas investigadas pela Polícia e pelo Poder Judiciário.

11. A reportagem do Jornal do Brasil se constrói em argumentações inconsistentes, frágeis e fantasiosas, além de obviamente não verdadeiras, que não têm outro propósito senão tentar atingir a minha honra e prejudicar a minha carreira. Não aceito ser vítima desta tentativa de imputar, a todo o meio político, o fardo da desconfiança. O momento é delicado e exige de todos nós, principalmente da imprensa (obviamente, a imprensa séria e responsável), que nos comportemos com sabedoria e de maneira sóbria e equilibrada, de modo a não prejudicar e/ou manchar injustamente a honra de quem quer que seja.

Por fim, informo que assinei o requerimento para instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que visa investigar a suposta ligação de políticos e empresários com a contravenção, e que responsabilizarei criminalmente os inventores desta mentirosa e grosseira montagem jornalística.

Armando Vergílio dos Santos Júnior, deputado federal (PSD-GO)"

Reportagem apontava fatos

Em tempo, vale ressaltar que o Jornal no Brasil, em nenhum momento, apontou que o deputado federal Armando Vergílio cometeu qualquer ilícito. Apenas revelou fatos concretos. Vergílio, por exemplo, realmente dirigia a Superintendência de Seguros Privados (Susep) em 2009, quando o órgão organizou o leilão do Hotel Nacional, no Rio de Janeiro. Na ocasião, a Susep tentou vendê-lo por duas vezes e, graças à falta de compradores, ele foi colocado à venda por por R$ 84,9 milhões, R$ 33 milhões a menos do que o lance inicial do leilão anterior. 

Além disso, Armando Vergílio realmente recebeu R$ 100 mil da SS Comércio de Cosméticos, empresa que tinha acabado de vender suas principais marcas para o grupo Hypermarcas por R$ 25 milhões. Coincidentemente, o principal acionista individual do grupo Hypermarcas é o empresário goiano Marcelo Limírio. Como o Jornal do Brasil noticiou, Limírio é sócio de Carlinhos Cachoeira num laboratório em Goiás e de Demóstenes Torres numa faculdade em Contagem (MG). Foi o mesmo Limírio que comprou o Hotel Nacional. 

As doações que Vergílio recebeu de seguradoras nas eleições de 2010 também são verídicas. A Susep, da qual o deputado era superintendete, é um órgão do Ministério da Fazenda responsável pela fiscalizção do mercado de seguradores. Como publicamos, o parlamentar recebeu R$ 1,2 milhões de empresas do ramo: as doadoras foram a Porto Seguro (R$300 mil),  Banco Pottencial (R$ 200 mil), Itaú Unibanco (R$ 100 mil), Liderança Capitalização (R$ 100 mil) e GPS Corretora de Seguros (R$ 100 mil), Alvorada Cartões (R$ 200 mil) e Liderança Capitalização (R$ 200 mil).