MST promove protestos para lembrar 16 anos de Massacre de Carajás  

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveu uma série de manifestações pelo país nesta terça-feira para relembrar os 16 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, que deixou 21 trabalhadores mortos. Em São Paulo, o movimento realizou um ato em frente ao Tribunal de Justiça, no centro da capital paulista.

Cruzes brancas, marcadas com tinta vermelha para simbolizar sangue, e uma bandeira do MST foram espalhadas no chão para lembrar os 21 trabalhadores que foram mortos durante o massacre no Pará. Segundo os organizadores, 200 pessoas estiveram presentes na manifestação. A Polícia Militar estimou em 100 o número de participantes.

"Hoje completa 16 anos de impunidade do massacre de Eldorado de Carajás. A partir de 1996, esse dia passou a ser considerado dia internacional da luta pela terra e, a partir de então, estamos realizando jornadas de luta reivindicando a reforma agrária, o assentamento das famílias acampadas e a melhoria das condições de vida dos assentamentos, com renda, infraestrutura, escola e posto de saúde", disse Paulo Freire, da direção estadual do MST.

Em Florianópolis, cerca de duas mil pessoas protestaram à tarde em frente ao prédio da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, segundo a Polícia Militar. O grupo incluía manifestantes do MST, de organizações sociais e de centrais sindicais. Pela manhã, eles ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para reivindicar novos assentamentos no Estado. Depois de permanecerem por duas horas na Assembleia, onde realizaram discursos e apresentaram propostas, fizeram uma passeata pelas ruas do centro de Florianópolis.

No Rio de Janeiro, o MST também promoveu uma caminhada pelas principais vias da região central da capital. O grupo seguiu até o prédio do Tribunal de Justiça do Estado e depois acampou em frente à sede do Incra estadual, onde deve permanecer pelo menos até esta quarta-feira.

Negociações com o governo

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, disse que deve dar respostas sobre as reivindicações do MST até a próxima quinta-feira. Ele reabriu as negociações com os sem-terra. O MST cobra pressa no assentamento de famílias incluídas nos programas de reforma agrária e melhores condições para as 186 mil famílias de agricultores que vivem em acampamentos na beira de rodovias e estradas vicinais.

As negociações estavam paradas porque o governo se negava a negociar enquanto o MST mantivesse as invasões do Ministério Desenvolvimento Agrário (MDA) e de outros prédios públicos em várias cidades brasileiras como forma de marcar o que chamam de Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária. Com a saída dos manifestantes, ontem, do prédio do MDA, o ministro recebeu uma delegação de dirigentes do MST e prometeu encaminhar a pauta de reivindicações ao Palácio do Planalto, com o compromisso de apresentar respostas até quinta-feira.

De acordo com Valdir Misnerovicz, um dos coordenadores do MST na reunião, o encontro foi tranquilo. "Mostramos nossa insatisfação em relação ao ritmo lento no processo de reforma agrária e pedimos que o governo agilize o andamento dos assentamentos, cujo processo está parado". Segundo ele, o ministro acolheu as reivindicações, prometeu empenho, mas não assumiu nenhum compromisso, tendo em vista que a decisão é política e depende da Presidência da República.