Dilma prega integração e defende "parceria entre iguais" 

Durante o painel da Cúpula das Américas, que se realiza em Cartagena na Colômbia, onde discursou ao lado dos presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e dos Estados Unidos, Barack Obama, a presidente Dilma Rousseff alfinetou o último ao lembrá-lo sobre a suspensão da compra de aviões brasileiros pela Força Aérea americana. O negócio foi interrompido cerca de um mês atrás e, apesar da insistência do governo brasileiro, segue sem solução.

"O Brasil está mudando. Mais brasileiros vão comprar iPad e aviões", disse Obama, referindo-se aos caças americanos que disputam com os franceses e os suecos a preferência da Força Aérea Brasileira. 

"Ou a Embraer", devolveu Dilma.

A Força Aérea americana alegou que o contrato para fornecimento de 20 aviões Super Tucano, da ordem de US$ 355 milhões, foi suspenso por apresentar problemas de documentação. Como represália, o governo brasileiro pode preterir a americana Boeing, e escolher os caças militares Rafale, da francesa Dassault Aviation. 

Ainda durante seu discurso, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff argumentou a favor da integração regional entre as Américas, defendendo uma "parceria entre iguais", em referência às relações comerciais entre Estados Unidos e países latino-americanos. 

Falando de forma cautelosa, mas firme, a presidente defendeu que "nós (as Américas) temos um potencial de integração mutio grande", frisando-o como uma forma de enfrentear as "consequências nefastatas" da crise". Dilma, no entanto, tratou de enfatizar ser necessário estabelecer uma "parceria entre iguais", referindo-se ao desejo de equivalência na importância e no papel a serem desempenhados pelos países da América Latina e pelos Estados Unidos - que, ao lado de China, compõe cerne da economia mundial.

"A economia dos EUA tem uma característica muito importante", afirmou Dilma, apontando para a as características do dinamismo e da diversidade da produção americana, baseados em "imensa flexiblidade" e na "imensa liderança em tecnologia e inovação", bem como nas "raízes democráticas que fundaram os EUA". "Os EUA podem desempenhar um papel muito importante neste mundo multipolar que agora surge", postulou a presidente.

Cautelosa, Dilma tratou também de pontuar a necessidade de "defesa" das economia nacionais, distinguindo-a da "proteção", em referência à medidas protecionistas que dificultam as trocas comerciais. "Nós temos de tomar medidas para nos defender", disse, frisando não usar o termo "proteger". "Não podemos deixar que nossos setores manufatureirios sejam canibalizados".

"Sou muito otimista com as relações neste hemisfério", finalizou Dilma, em tom conciliatório, antes de passar a palavra ao colega americano.

Com informações do Portal Terra