Cristovam denuncia 'genocídio intelectual' contra crianças brasileiras    

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) espera que as comemorações pelo Dia do Índio sirvam também para uma reflexão sobre o “genocídio intelectual” contra as crianças brasileiras, em decorrência da exclusão escolar e da baixa qualidade da educação. Segundo ele, esse é o terceiro genocídio da história do país, depois do aniquilamento dos índios e também de milhões de negros escravos.

- Que o dia 19 de abril sirva para que os índios, que tanto sofreram, nos dêem uma lição para que nós não possamos, no futuro, ser acusados do holocausto intelectual, do holocausto de mentes que nós estamos provocando contra as nossas crianças – pediu.

Para Cristovam, o país tem a “obrigação fundamental” de comemorar o Dia do Índio, por todo o mal causado a eles ao longo de mais de 500 anos. O parlamentar observou que a população indígena, em torno de 5 milhões na época do descobrimento, acabou reduzida a 350 mil indivíduos nos dias atuais.

O senador enfatizou artigo que aborda a condição trágica dos indígenas ainda hoje. Intitulado Redescobrir os índios, o texto de Edison Barbieri lembra que até agora não foi cumprida a previsão constitucional de 1993 para a definitiva demarcação das terras indígenas. Observa que grupos ainda vivem isolados na Amazônia, resistindo às tentativas de aproximação. Os que aceitam a presença branca acabam pagando alto preço, com doenças, mortes, alcoolismo, invasão de suas terras e a perda de sua identidade cultural.

Quanto aos negros escravos, ele destacou que quase 10 milhões de africanos foram trazidos ao Brasil, e também enfrentaram um genocídio, que atingiu seus filhos e netos. Cristovam disse que aqui eles enfrentaram o “holocausto da morte precoce, da exploração permanente do trabalho forçado, do deslocamento do seu habitat e da sua cultura”.

Esses dois genocídios, segundo o senador, ocorreram pela violência, pela escravidão e também pelo preconceito religioso, fundamentado na ideia que prevaleceu por muito tempo de que “os índios e negros não tinham alma”.  

Para Cristovam Buarque, o país não pode se calar diante do que houve e ignorar a responsabilidade do Brasil, da mesma forma que a Alemanha não esquece o papel que teve no holocausto judeu, embora esse genocídio tenha sido praticado pelos nazistas e não pela atual geração – que hoje estaria sendo omissa em relação ao “genocídio intelectual” contras as crianças.