Alvaro Dias quer comando compartilhado da CPMI do caso Cachoeira 

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar a ligação de agentes públicos e privados com o empresário Carlinhos Cachoeira deveria ter o comando compartilhado entre maioria e minoria das duas casas do Congresso Nacional. A composição paritária para condução dos trabalhos do colegiado foi defendida pelo líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), durante reunião do Conselho de Ética.

Para o parlamentar, governo e oposição devem dividir responsabilidades, diante do “enorme impacto” das denúncias.

– Trata-se de restabelecer uma tradição histórica. Além disso, não seria bom para o parlamento e para o governo que a CPMI começasse sobre a síndrome da suspeição, passando a ideia de orientação política para alcançar alguns e proteger outros – afirmou o senador.

Na ocasião, Alvaro Dias anunciou aos colegas ter enviado aos presidentes do Senado, José Sarney, e da Câmara, Marco Maia, uma moção com apelo formal para que o comando da CPMI seja dividido:

– Por que não respeitar uma prerrogativa da minoria no parlamento? O que justifica esse tratoramento? A primeira missão de uma CPI é ter credibilidade e, se não agirmos desta forma, não teremos credibilidade – afirmou.

O senador Alvaro Dias voltou a defender uma investigação ampla por parte do colegiado, para que a CPMI não seja “instrumento para a seletividade dos fatos a serem investigados e das pessoas a serem atingidas”.

Requerimento

Depois de dois dias de muita discussão entre lideranças do Senado e da Câmara, o texto final do requerimento para a instalação da CPMI diz que o grupo será composto de 15 senadores e 15 deputados, que vão investigar práticas criminosas desvendadas pelas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, com envolvimento de Carlinhos Cachoeira e agentes públicos e privados.

Tão logo o número mínimo de assinaturas seja alcançado – o que deve acontecer na terça-feira (17), na previsão do líder do PT, Walter Pinheiro -, o requerimento será entregue à mesa do Congresso Nacional. São necessárias assinaturas de 27 senadores e de 171 deputados.