Líder do PSDB quer investigação sobre compra de lanchas da Pesca

O líder do PSDB no Senado, senador Alvaro Dias (PR), anunciou nesta sexta-feira que pretende pedir, na próxima semana, que a Comissão de Ética Pública da Presidência da República apure eventual uso indevido da máquina pública por parte do Ministério da Pesca na compra de lanchas da empresa Intech Boating. Reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo aponta que a empresa - comandada por José Antônio Galízio Neto, ex-militante do PT - é suspeita de ter sido favorecida pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, quando ela ainda ocupava a pasta da Pesca.

De acordo com a reportagem, após ser contratada para construir lanchas-patrulha de mais de R$ 1 milhão cada para o Ministério da Pesca, a Intech Boating foi procurada para doar R$ 150 mil ao comitê financeiro do PT de Santa Catarina. O comitê financeiro do PT catarinense, segundo o jornal, bancou 81% dos custos da campanha a governador em 2010, e a candidata do partido era Ideli. A ministra nega qualquer relação com a empresa.

De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), as encomendas foram feitas entre 2009 e 2010, em licitações supostamente dirigidas. A denúncia também envolve o ex-ministro da pasta Altemir Gregolin, que teria encomendado mais cinco lanchas, quando 14 delas já estavam prontas e sem uso no estaleiro em Santa Catarina.

O empresário Galízio Neto afirmou ao jornal que ainda restam quatro encomendas e que uma delas seguiria ontem para a Marinha, destino definido no início deste ano, quando a auditoria do TCU processava as conclusões.

Ideli, que durante os cinco primeiros meses de governo foi ministra da Pesca, afirmou em nota que o contrato firmado entre a empresa Intech Boating e o Ministério da Pesca para a aquisição de lanchas, que está sob investigação do TCU, foi assinado em 2009, ano em que era senadora e não ministra da pasta.

A Secretaria de Relações Institucionais também afirma que a candidatura de Ideli Salvatti ao governo de Santa Catarina recebeu doações de R$ 3,5 milhões, mas esse dinheiro teria sido repassado ao comitê financeiro do PT catarinense. "É importante ressaltar que as contas da campanha foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral", informa a nota.