"Presidência exige sensibilidade", diz Dilma após crise com a base 

Em meio a uma crise com o Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff participou nesta terça-feira de uma sessão solene no Senado em homenagem ao Dia Internacional da Mulher e recebimento do prêmio Bertha Lutz. Pela primeira vez no Congresso desde a posse, Dilma evitou fazer menções aos problemas recentes com a base aliada no Legislativo. "A Presidência exige sensibilidade política e social", disse.

Dilma aproveitaria o evento para sancionar a lei que equipara salário de homens e mulheres que ocupem o mesmo cargo. A matéria estava pronta para ser apreciada pela presidente, mas o líder do governo no senado, Romero Jucá (PMDB-RR), fez o texto voltar para a fase de trâmite.

Ontem, a presidente substituiu o senador Jucá do posto de líder do governo no Senado por Eduardo Braga (PMDB-AM), especialmente pela derrota frente à rebelião da base aliada que culminou na rejeição de Bernardo Figueiredo, que seria reconduzido ao cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O próximo que deverá perder a liderança é o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Dilma se encontrou nesta manhã, antes de ir ao Congresso com Vaccarezza em reunião no Palácio do Planalto. A conversa fez a presidente chegar atrasada ao compromisso no Congresso.

A crise se explica principalmente pelas disputas municipais neste ano. O PMDB, principal partido da base aliada, teme perder a maioria das prefeituras do Brasil, e critica o governo por dar tratamento diferenciado ao PT dentro do governo. O ponto mais agudo da crise foi quando os senadores rejeitaram o nome de Bernardo Figueiredo para a ANTT.

Durante o discurso, a presidente aproveitou para elencar todos os programas do governo voltado para as mulheres, como o Rede Cegonha e a medida provisória que estabelece a mulher como proprietária dos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida na faixa de até três salários mínimos. Dilma ainda agradeceu ao STF pela interpretação de que a Lei Maria da Penha vale mesmo sem a denúncia da mulher.

Menção a Temer

Antes da fala de Dilma, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) dirigiu a palavra ao vice-presidente Michel Temer, afirmando que ele deveria "cuidar bem" de Dilma. "Ela está cuidando do Brasil, e nós estamos de olho", disse a parlamentar.

Dilma, em tom bem-humorado, disse que as mulheres e homens atuam em conjunto no seu governo. "Assim como eu e o vice-presidente Michel Temer", completou.