Emocionada, Dilma agradece a Luiz Sérgio por trabalho no governo 

A presidente Dilma Rousseff se mostrou bastante emotiva nesta sexta-feira, um dia depois de visitar, por mais de três horas, o ex-presidente Luiz Inácio Lukla da Silva, que recupera-se de um câncer na laringe.

Com a voz embargada, Dilma agradeceu a participação de Luiz Sérgio - compnanheiro dela e de Lula no PT - em seu governo como ministro. Ele deixa nesta sexta-feira o ministério da Pesca e Aquicultura, onde foi sucedido por Marcelo Crivella (PRB-RJ). 

Em discurso na posse de Crivella, Dilma deixou claro que a troca na pasta de Pesca se deveu às necessidades políticas para acomodar o PRB na esplanada dos ministérios. "A política acaba por nos impor em nome dos interesses do País", disse a presidente, emocionada e interrompida por aplausos. "Agradeço o trabalho, a dedicação e, sobretudo, ao trabalho do Luiz Sérgio", acrescentou.

Diferentemente das demais posses de ministros, Dilma fez uma longa exposição sobre a importância das alianças políticas para garantir a governabilidade no Brasil. "A constituição de coalisões é essencial para que o Brasil seja administrado, governado de forma democrática" disse a presidente.

O discurso de Dilma acontece um dia após um grupo do PMDB na Câmara dos Deputados se rebelar pela escolha do PRB, que seria uma manobra para tentar a desistência de Celso Russomanno (PRB-SP) à disputa da prefeitura de São Paulo. Ontem, Dilma tratou de questões partidárias em mais de três horas de conversa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo.

Na posse de Crivella, a presidente garantiu que a presença de vários partidos diferentes na base de sustentação do governo não significa uma contradição. "Uma coisa distingue a democracia brasileira: ele (o político), ao chegar ao governo, tem o dever constitucional de governar para todos, inclusive para aqueles que não votaram nele. Isso não é contraditório. Só é contraditório para aqueles que não percebem que é possível e necessário falar para todos os brasileiros, mesmo que você se apoie em uma ampla coalisão", disse Dilma.

"A entrada do senador Marcelo Crivella no meu governo significa o reconhecimento do papel do PRB nessa grande coalisão que nos ajuda a governar", explicou a presidente, lembrando que a legenda está voltando ao Executivo. Ela mencionou o ex-vice-presidente José Alencar, membro do partido, morto no ano passado.

Dilma também desejou boas vindas a Crivella, que, segundo ela, "fará diferença" no governo. Ela brincou com uma fala de Crivella, que, ao assumir o Ministério da Pesca, disse não saber "colocar uma minhoca no anzol". "De fato, o senador Crivella tem toda a razão: a gente aprende a colocar a minhoca no anzol, o que é difícil fazer é governar para todos os brasileiros", disse a presidente.

A presidente ressaltou que o regime presidencialista coloca uma carga de responsabilidade maior sobre os ombros do chefe de Estado, mas ela disse que, em sua escolha de ministros, busca pessoas para dividir essa tarefa. "Responsabilidade de decidir exige padrões éticos elevados, compromisso com a justiça, com a ética e, sobretudo, com o povo brasileiro", disse. Até o momento, a presidente já perdeu sete ministros por suspeita de corrupção.

Com Portal Terra