Lula responde bem a tratamento, mas notícia de "cura" ainda é prematura

A expectativa de que o câncer de laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sido curado ainda é prematura, afirmam especialistas. Lula foi internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no último sábado (11), após apresentar um quadro de perda de apetite, desidratação e fadiga. Na ocasião, foi feita uma tomografia  no tórax, que deu indícios de que o tumor na laringe teria sido completamente combatido. 

É grande a torcida para que Lula volte o mais depressa possível ao seu bom estado de saúde, não só pelas razões humanas mas fundamentalmente pela importância do momento político.  No entanto, de acordo com especialistas, a tomografia de tórax, que foi realizada apenas com o intuito de verificar se havia uma inflamação no pulmão, não é capaz de informar com absoluta certeza se o tumor foi combatido.

Os especialistas acrescentaram que o exame próprio para identificar a redução do tumor na laringe é o PET-Scan, que leva de 60 a 90 dias para apresentar o laudo conclusivo. Este exame, por sua vez, será realizado dentro de quatro a seis semanas depois de uma radioterapia, cuja última sessão está prevista para a próxima sexta-feira.

 Apesar de a tomografia não ser conclusiva, a equipe adiantou que Lula tem respondido de maneira "excelente" ao tratamento para combater o câncer. O ex-presidente passa, nesta segunda-feira (13), por mais uma sessão de radioterapia, que faz parte do tratamento para combater o câncer de laringe, diagnosticado em outubro do ano passado. 

O ex-presidente continuou internado após a avaliação médica, que constatou a "presença de inflamação de mucosa da laringe e esôfago, decorrentes da radioterapia". Apesar de o sintoma ser considerado normal, a equipe optou pela internação para intensificar as medidas de suporte nutricional, fisioterápico e fonoaudiológicas.

O professor Eduardo Côrtes, coordenador do Núcleo de Pesquisa em câncer do Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), descartou maiores complicações e a necessidade de procedimentos invasivos.

“Sensações de ressecamento na boca, dor, e ardência no local e nas proximidades do tumor — já que a radioterapia também pode afetar tecidos saudáveis — são comuns. Isso não significa, porém, que ele precisará sofrer uma cirurgia”, explicou.

O próprio ex-presidente, conforme noticiaram os jornais na época, optou por não fazer a cirurgia para retirada do tumor, desejo que foi levado em conta pela equipe médica quando foi constatado que o tratamento da quimioterapia associado à radioterapia se apresentou eficaz.

 Uma tomografia realizada no sábado último não mostrou o tumor que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem na laringe, informaram os médicos do Hospital Sírio-Libanês. Isso, no entanto, não significa que o ex-presidente esteja curado.

 O câncer de Lula

Após queixa de dores de garganta, Lula foi submetido a uma série de exames na noite de 28 de outubro de 2011. Na manhã do dia seguinte, foi divulgado boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, informando que foi diagnosticado um tumor maligno na laringe, que seria inicialmente tratado por quimioterapia.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o câncer na laringe representa cerca de 25% dos tumores que atingem a região da cabeça e pescoço e 2% de todas as doenças malignas registradas no Brasil. Os homens são os mais afetados. Em 2009,  3.490 pessoas morreram vítimas da doença no país. Destas, 3.081 eram homens.

O consumo de bebidas alcoólicas e o tabagismo constituem os maiores fatores de risco. Fumantes têm 10 vezes mais chances de desenvolver câncer de laringe. Em pessoas que associam o fumo ao álcool, o número sobe para 43. Má alimentação e estresse também são prejudiciais.

O sintoma mais comum da doença é a rouquidão, mas, segundo o médico Eduardo Côrtes, muitas vezes  esta é imperceptível até mesmo para o doente e para os que convivem diariamente com a pessoa. “Deste modo, para prevenir a enfermidade, o mais importante é ficar atento ao histórico familiar e evitar fumar e beber regularmente”, conclui.