Com ausência de testemunhas, defesa convoca mãe e irmão de Eloá 

Com a ausência de duas testemunhas de defesa, a advogada de Lindemberg Alves Fernandes, acusado de matar Eloá Pimentel, em 2008, convocou para depor a mãe e o irmão da vítima. Ana Cristina Pimentel e Douglas devem substituir a jornalista da Rede Record Ana Paula Neves e o perito criminal Nelson Gonçalves, que não compareceram ao julgamento, iniciado nesta segunda-feira no Fórum de Santo André.

O pedido foi para garantir "a ampla defesa do acusado". A troca foi acatada pela juíza contra a vontade da promotoria. Outras quatro testemunhas que haviam sido convocadas para falar hoje - a apresentadora Sônia Abrão, os jornalistas Roberto Cabrini e Reinaldo Gottino, e o perito criminal Ricardo Molina - foram dispensadas. Aceitando outro pedido da defesa, a magistrada também permitiu que fossem retiradas as algemas de Lindemberg durante a sessão.

Logo na abertura do julgamento, tanto a defesa quanto a acusação apresentação vídeos. A promotoria abriu com uma reportagem da Globo, veiculada na época do crime. Já a advogada de Lindemberg usou três vídeos que desenhavam a tese de que ele só atirou após a invasão da polícia. Durante as exibições, o réu não demonstrou nenhuma reação.

Cárcere de 101 horas termina com morte trágica

Elóa, ex-namorada de Lindemberg, morreu em 17 de outubro de 2008, após 101 horas de cárcere privado. Motivado pela inconformidade com o fim do relacionamento, o acusado invadiu o apartamento da ex-namorada e a proibiu, sob a mira de duas armas, junto com a amiga Nayara Rodrigues da Silva, de deixar o imóvel. Eloá morreu após ser atingida por dois tiros: um na cabeça e outro na virilha.

Lindemberg invadiu o apartamento no dia 13 de outubro, rendendo Eloá, Nayara e mais dois colegas de aula das jovens, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira, que logo foram libertados pelo acusado. A amiga de Eloá, que também chegou a deixar o cativeiro, no dia 14, retornou ao imóvel dois dias depois para negociar com Lindemberg, momento em que, ao entrar no apartamento, voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17, a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg atirou contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto.

No dia 13 de fevereiro de 2012, teve início o julgamento de Lindemberg, no Fórum de Santo André, na Grande São Paulo. O júri popular foi composto por seis homens e uma mulher.