Caso Eloá: advogada usará tese de que Lindemberg é 'bom rapaz' 

A advogada Ana Lúcia Assaf, que fará a defesa de Lindemberg Alves Fernandes no julgamento que se inicia nesta segunda-feira pela morte de Eloá Pimentel, vai utilizar a tese de que o acusado é um "bom rapaz". A defensora alegou que ele não está sendo julgado de forma correta.

"Ele não se sente julgado de forma correta. Eu recorri em todas as instâncias, para que ele aguardasse em liberdade. Ele é réu primário, tinha dois empregos e nunca havia pisado em um tribunal", afirmou a advogada.

A defensora, que disse que o réu deve falar ao júri hoje, lembrou o caso do jornalista Pimenta Neves, condenado pela morte da namorada, Sandra Gomide, em 2001. Neves aguardou o julgamento em liberdade. "Então são dois pesos e duas medidas. Porque ele é pobre, morador de periferia e está sendo crucificado."

Ana Lúcia aproveitou para criticar o trabalho da imprensa na cobertura do caso, desde o cárcere privado até após a morte de Eloá. "Sempre é mais difícil para a defesa, porque parte da imprensa, que chamo 'a imprensa marrom', atrapalhou bastante o nosso trabalho". A defensora pretende usar trechos do filme Sem Vestígios, que narra a história de um sequestrador que transmite pela internet imagens de suas vítimas, condicionando suas mortes ao número de acessos. Na trama, quanto mais pessoas assistindo, maiores eram as chances das sequestradas morrerem.

A expectativa da advogada é que os jurados ouçam o que o réu tem a dizer. "Eu espero que os jurados venham desarmados, com o coração aberto, prontos para receber a versão do menino."