Governo não descontará ponto de PMs grevistas na Bahia

Um entendimento entre o governo e representantes das associações garantiu não será descontado pelo comando da Polícia Militar o dia de trabalho dos policiais militares que não retornaram às atividades na última sexta-feira. Entendeu-se que o retorno estava condicionado à assembleia realizada no sábado para definir o fim do movimento.

Segundo o capitão Marcelo Pita, do Departamento de Comunicação Social da PM, as atividades dos policiais militares que haviam aderido ao movimento voltaram à normalidade neste domingo. Como faz parte da rotina da corporação, escalas de trabalho previamente definidas e afixadas nos quartéis orientaram os policiais sobre seus horários de trabalho.

Segundo o capitão, até a próxima quarta-feira, o comando da PM realiza a apresentação do planejamento de segurança para o Carnaval de Salvador e outras cidades do Estado. A operação para o evento começa na quinta.

A princípio, a segurança deverá contar com um contingente entre 18 e 19 mil policiais em todo o Estado, informou. O planejamento inclui o deslocamento de 3,2 mil policiais do interior para a capital, a fim de reforçar a segurança durante a festa.

Negociação 

O comandante-geral da PM, coronel Alfredo Castro, havia convocado os grevistas para que voltassem às atividades na última sexta, após a desocupação da Assembleia Legislativa. Segundo o comando, quem não se apresentasse ao serviço teria os dias descontados na folha de pagamento e sofreria sanções administrativas.

Segundo o capitão Marcelo Pita, do Departamento de Comunicação Social da PM, no diálogo com os representantes das associações de PM, houve um consenso de ambas as partes sobre o assunto. Assim será concedida anistia administrativa para os policiais que participaram do movimento e maneira pacífica. Entretanto, a Justiça dará andamento aos processos contra a quem forem atribuídos atos criminosos.

O capitão informou ainda que as negociações com os representantes das associações de PMs vai prosseguir para tratar de pontos ainda não definidos como o plano de cargos e salários e o seguro para acidentes. O pagamento da Gratificação por Atividade Policial (GAP) IV e V foi definido segundo a proposta do governo.

A greve

A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro, quando os grevistas acamparam em frente à Assembleia Legislativa em Salvador e posteriormente ocuparam o prédio. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência na capital e região metropolitana, dobrando o número de homicídios em comparação ao mesmo período do ano passado. Além de provocar o cancelamento de shows e eventos, a ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.

A paralisação, que terminou 12 dias depois, servia para reivindicar a criação de um plano de carreira para a categoria, além do pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.

O Executivo estadual solicitou o apoio do governo federal para reforçar a segurança. Cerca de 3 mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. Dois dias após o início da greve, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando sua ilegalidade e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspendesse o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos, sendo que quatro foram cumpridos.

Em 9 de fevereiro, Marco Prisco, um dos líderes do movimento grevista, foi um dos presos, após a desocupação do prédio da Assembleia. A decisão ocorreu um dia depois da divulgação de gravações telefônicas que mostravam chefes da paralisação planejando ações de vandalismo na capital baiana. Um dos trechos mostrava Prisco ordenando a um homem que ele bloqueasse uma rodovia federal.