BA: PMs reivindicam libertação de líderes e pagamento integral 

Os policiais militares da Bahia em greve desde o dia 31 de janeiro colaram cartazes no final da tarde de sábado no muro do ginásio do Sindicato dos Bancários com uma pauta de reivindicações ao governo do Estado atualizada.

Os policiais colocam como condição para voltar a trabalhar a soltura das lideranças presas e que seja pago integralmente o ponto de policiais que faltaram ao serviço. O governo do Estado disse que não fará nenhuma nova proposta. A nova assembleia da Associação de Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia (Aspra), prevista para as 16h de hoje, teve baixa adesão.

Na manhã de sexta-feira, o comandante da corporação, coronel Alfredo Castro, disse que cortaria o ponto de policiais que não fossem trabalhar e declarou que a greve havia acabado, e ainda que 85% da PM estava na rua trabalhando. Para os grevistas, 95% dos 32 mil homens e mulheres PMs segue parado.

A greve

A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro, quando os grevistas acamparam em frente à Assembleia Legislativa em Salvador e posteriormente ocuparam o prédio. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento.

A paralisação provocou uma onda de violência na capital e região metropolitana, dobrando o número de homicídios em comparação ao mesmo período do ano passado. Além de provocar o cancelamento de shows e eventos, a ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.

A paralisação busca reivindicar a criação de um plano de carreira para a categoria, além do pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.

O Executivo estadual solicitou o apoio do governo federal para reforçar a segurança. Cerca de 3 mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos, sendo que destes quatro foram cumpridos.

Em 9 de fevereiro, Marco Prisco, um dos líderes do movimento grevista, foi preso após a desocupação do prédio da Assembleia. A decisão ocorreu um dia depois da divulgação de gravações telefônicas que mostravam chefes dos PMs planejando ações de vandalismo na capital baiana. Um dos trechos mostrava Prisco ordenando a um homem que ele bloqueasse uma rodovia federal.