Tumultos no país são reflexo de desmoralização do poder público

O tumulto no sistema de trens do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira (9), é mais um reflexo da desmoralização do poder público brasileiro. Em Salvador, na Bahia, homicídios e saques durante a greve dos policiais militares também comprovam que as figuras de poder já não impõem o respeito necessário para conter tais desvios de conduta. Será que a falta de uma figura de autoridade de confiança pode contribuir com polvorosas sociais?

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De acordo com o cientista político João Trajano Santo-Sé, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o grande problema é a falta de exemplo. Quando a sociedade percebe que seus próprios representantes não agem de acordo com as normas e leis estabelecidas, ela apreende esse comportamento, e as autoridades, por sua vez, acabam se desmoralizando.

 “Historicamente, há no Brasil certo desconforto no que diz respeito a seguir as normas legais e regras, como se isso fosse uma coisa que apenas os fracos e desvalidos seriam obrigados a fazer”, explica João Trajano. “Quando, além disso, as autoridades não têm muito apreço pelas regras e cometem desvios de conduta de qualquer natureza, isso também reforça certo desprezo geral pela lei”.

Conforme publicado neste JB, o escritor Leonardo Boff atribuiu a responsabilidade maior pela insegurança pública que se instalou em razão da greve dos policiais militares, principalmente ao poder público, que não soube ouvir e dialogar, antecipando-se aos fatos lamentáveis. Leia o artigo aqui.

A situação se agrava quando a população vê que seus governantes não estão fazendo o trabalhado para o qual foram eleitos. A falta de solução para a precariedade dos serviços, como é o caso do sistema de transportes do Rio de Janeiro, assim como a sequência de denúncias que acabou ocasionando a queda de ministros do governo Dilma, são apenas um entre os muitos problemas que deixam o cidadão desacreditado nas autoridades, segundo o cientista político Antônio Carlos Alckmin, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

 “Se as autoridades públicas não tomam atitudes para solucionar os problemas da população, ela se revolta. Sempre foi assim, em todo lugar do mundo e em qualquer tempo - a responsabilidade da autoridade é de cumprir com a sua função”,  acrescentou.