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Em Alagoas, primeiro dia de júri do caso Ceci tem acusação de tortura e flores 

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O primeiro dos três dias de julgamento dos acusados no assassinato da deputada federal Ceci Cunha, morta com mais três pessoas em uma chacina em 1998, terminou com acusações de tortura, lágrimas e distribuição de flores. Na entrada do fórum da Justiça Federal, onde ocorreu o julgamento, as pessoas recebiam rosas brancas dos familiares de Ceci - um símbolo, segundo o filho dela, Rodrigo Cunha, do caráter pacifista da parlamentar. "Eram as preferidas de minha mãe." O Ministério Público Federal acusa o suplente de Ceci, Talvane Albuquerque, pela chacina.

A primeira a falar foi a irmã da deputada, Claudinete Cunha. O marido dela, Iran Carlos Maranhão, e a sogra, Ítala Maranhão, foram mortos na chacina. A testemunha reconheceu um dos assassinos, Jadielson Barbosa da Silva, pela cor dos olhos. Ele é acusado de efetuar os disparos que mataram, além de Iran e Ítala, Ceci e o marido, Juvenal Cunha.

Claudinete havia feito uma cesariana havia dez dias e repousava em sua residência, no bairro da Gruta de Lourdes, em Maceió. Ceci foi à casa dela para ver o sobrinho, que estava no berço, horas depois de ser diplomada deputada federal. Ao sair para a varanda, ela foi morta a tiros, assim como os outros três. Claudinete se emocionou ao lembrar do crime.

O soldado da reserva da Polícia Militar, José Jorge Farias de Melo - segundo a falar - disse que os assessores de Talvane queriam matar o irmão de Paulo César Farias, o deputado federal Augusto Farias, diplomado no mesmo dia que Ceci. No entanto, ele não apareceu. Augusto também era suplente de Talvane. Como Ceci apareceu, ela foi seguida do fórum até a casa da irmã, onde foi morta.

O pistoleiro Maurício Guedes, conhecido como Chapéu de Couro, receberia R$ 200 mil para matar Augusto Farias. Porém, segundo o relato, ele recusou a oferta.

Um dos depoimentos mais polêmicos foi de José Alexandre Santos, um dos acusados na morte de Ceci. Conhecido como Zé Piaba, ele disse que foi torturado por agentes da Polícia Federal no Maranhão à época do crime.

"Eu não sei ler, eu assinei porque eles mandaram. Eu fui torturado, espancado. Quem fez isso foi a equipe da (Polícia) Federal que me pegou lá em Sítio Novo", disse. "Não tenho nada a ver com isso, sou bucha de canhão. Se me condenarem, vão condenar um inocente."

Santos garantiu que nunca comprou ou vendeu armas, o que contradiz um depoimento prestado por ele à PF no dia 9 de fevereiro de 1999 em Imperatriz (MA). Hoje trabalhando como mototaxista, o acusado afirmou que assinou o documento após ter sido agredido com um cabo de vassoura e estar com uma arma apontada para a sua cabeça.