A Polícia Civil do Paraná divulgou nesta quarta-feira o laudo do Instituto Médico Legal (IML) sobre a morte da modelo Agda Fátima Rocha, 21 anos encontrada morta em sua residência em Ponta Grossa (PR), em setembro deste ano. Segundo o delegado Leonardo Carneiro, que investiga o caso, o laudo comprova que a vítima foi assassinada e traz indícios contundentes que incriminam Jean Carlos Oliveira Pinto, 23 anos, principal suspeito pelo crime.
"Esse laudo foi bem conclusivo no sentido de determinar que a causa da morte dela foi por sufocação direta, que seria a obstrução da boca e das narinas pelas mãos", disse o delegado. De acordo com Carneiro, o IML constatou que a modelo sofreu múltiplas lesões, principalmente na lateral esquerda da face, nos joelhos e na cintura, "condizentes com a ação das mãos do suspeito" em uma tentativa de estupro, versão corroborada pela presença de hemorragia genital.
O crime ocorreu na madrugada do dia 19 de setembro. Segundo o delegado, Agna, uma amiga e Pinto passaram a noite em um bar, onde a vítima teria ingerido bebida alcoólica. Após deixar a modelo e sua amiga em suas respectivas casas, Pinto teria retornado à residência de Agna e arrombado a porta dos fundos.
Em seu primeiro depoimento, o suspeito alegou que ele e Agna teriam combinado de primeiro ele levar a amiga dela para casa e depois retornar. Pinto disse que ele bateu na porta e como a jovem não atendeu, ele resolveu arrombar - quando foi à delegacia, o suspeito apresentava um corte na mão.
Na primeira versão do suspeito, ele e Agna começaram a se beijar e a modelo, que estaria alcoolizada, teria perdido a consciência, caindo e batendo de cabeça no chão. Assustado, ele teria forjado um assalto roubando o celular da vítima e fugido. "Durante o inquérito, isso foi descartado. A legista detectou que isso era impossível porque ela tinha várias lesões no rosto. Além disso, um tombo daquela altura não teria causado todas as lesões e não seria capaz de causar a morte dela", afirmou o delegado. "Ele (Pinto) não chegou a consumar a conjunção carnal, mas praticou outros atos libidinosos que já configuram estupro", completou.
Posteriormente, o suspeito mudou sua versão e disse que a modelo morreu sufocada no próprio vômito. "Ele alegou que a vítima teria se sufocado com o próprio vômito, o que foi descartado pelo laudo. A legista disse que não foram encontrados restos alimentares no trato respiratório que sugerissem aspiração. Ou seja, nas vias aéreas dela não tinha alimento", rebateu o delegado.
O laudo aponta ainda que a vítima foi carregada após a sua morte. "Outro fato importante descrito no laudo é que houve mobilização do corpo da vítima após sua morte. Ou seja, algumas lesões na face anterior da perna esquerda determinaram que a vítima foi arrastada após seu óbito, no intuito de colocar ela sobre a cama - para simular que a sua morte teria ocorrido por sufocamento com vômito e ludibriar a ação policial", disse Carneiro.
Pinto está preso preventivamente e foi denunciado pelos crimes de estupro e homicídio duplamente qualificado - por asfixia e tentativa de ocultar o crime. Caso seja condenado, pode cumprir pena de até 30 anos de prisão.