Em assembleia na noite de quinta-feira, os estudantes da USP decidiram manter a greve iniciada na semana passada e adiar as eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) para março do ano que vem - a votação ocorreria nos próximos dias 22, 23 e 24 de novembro.
Eles também decidiram realizar uma passeata na próxima quinta-feira, com saída da avenida Paulista às 14h. Duas mil pessoas participaram do encontro, segundo o DCE. As decisões tomadas ontem, no entanto, poderão ser revistas em uma nova reunião marcada para a próxima quarta-feira. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
Thiago Aguiar, aluno de ciências sociais, diretor do DCE e membro da chapa Não Vou Me Adaptar, diz que a eleição precisa de uma participação igualitária e que, com a greve, algumas faculdades ficam esvaziadas. "Precisamos de mais tempo de debate para realizar a votação".
Rodrigo Souza Neves, 24, aluno de gestão de políticas públicas e integrante da chapa Reação, criticou a decisão, porque, para ele, a assembleia não foi representativa. "Foi uma manobra política da gestão do DCE para esvaziar eleição. Foi um golpe". Sua chapa defende o fim da greve dos alunos e um plebiscito sobre a permanência da PM na Cidade Universitária (zona oeste).
Caso a eleição do DCE seja de fato adiada, duas propostas serão analisadas pelos estudantes: a prorrogação do mandato da atual chapa até o fim do ano ou que o comando de greve assuma o diretório. A greve de alunos foi decidida na semana passada, após a desocupação da reitoria da universidade. Por enquanto, cinco chapas disputam o diretório. Quatro delas são de inclinação política de esquerda, favoráveis à greve e, portanto, à prorrogação da eleição. A chapa Reação se autointitula apartidária, apesar de sete de seus 61 integrantes serem filiados a partidos como PSDB e PV. As outras chapas classificam-na como de "direita".