Censo: mulheres têm menos filhos e cresce nº de uniões estáveis

O Censo divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que as mulheres brasileiras têm, em média, menos filhos e são mães um pouco mais tarde. Além disso, o Censo 2010 informa que os casamentos formais cederam espaço às uniões consensuais e o ritmo dos movimentos migratórios, sejam eles internos ou de entrada de estrangeiros, diminuiu. De acordo com o IBGE, mais crianças e adolescentes estão na escola e mais pessoas trabalham, inclusive com carteira assinada.

O Censo 2010 apontou também que os domicílios do País têm progressivamente mais bens duráveis, com destaque para o computador e a presença dominante do telefone celular. A pesquisa foi aplicada em 11% do total de domicílios do Brasil (6.192.332 em números absolutos). Os resultados definitivos e completos da amostra, com informações mais detalhadas sobre os temas divulgados, além de outros, como religião, serão conhecidos em 2012.

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Taxa de fecundidade

O número médio de filhos nascidos vivos por mulher ao final de seu período fértil, no Brasil, foi de 1,86 filho em 2010, bem inferior ao do Censo 2000 (2,38 filhos). O declínio dos níveis de fecundidade ocorreu em todas as grandes regiões brasileiras.

As maiores quedas foram observados nas regiões Nordeste e Norte, que possuíam os mais altos níveis de fecundidade em 2000. Entre as unidades da federação, a mais baixa taxa de fecundidade pertence ao Rio de Janeiro (1,62 filho por mulher), seguido por São Paulo (1,63) e Distrito Federal (1,69). A mais alta foi a do Acre (2,77 filhos por mulher).

Uniões consensuais aumentam

O Censo Demográfico 2010 constatou uma elevação expressiva das uniões consensuais desde 2000 (aumento de 28,6% para 36,4% do total) e uma consequente redução dos casamentos, com destaque para a modalidade civil e religioso (de 49,4% em 2000 para 42,9% em 2010).

Em relação ao estado civil das pessoas de 10 anos ou mais idade, houve um crescimento da proporção de divorciados (de 1,7% em 2000 para 3,1%) e uma redução dos solteiros (37,0% para 34,8%). Entre 2000 e 2010, os casados passaram de 54,8% para 55,4%, os desquitados ou separados judicialmente foram de 4,6% para 5,0%, e os viúvos, de 1,9% para 1,7%.

Crianças e adolescentes fora da escola

De 2000 para 2010, o percentual de pessoas que não frequentavam escola no contingente de 7 a 14 anos de idade passou de 5,1% para 3,1% no País. Em 2010, esse indicador ainda era mais elevado no Norte e Nordeste, mas nessas duas regiões foram registradas as maiores quedas em relação a 2000: de 11,2% para 5,5% e de 7,1% para 3,2%, respectivamente.

Entre os dois últimos Censos, também houve redução no percentual de pessoas de 15 a 17 anos que não freqüentavam escola, de 22,3%, em 2000, para 16,7%, em 2010. A redução ocorreu em todas as regiões e também foi maior na Norte, que tinha o percentual mais alto em 2000 (26,9%) e alcançou 18,7%, em 2010, praticamente o mesmo da região Sul (18,6%).

Computadores nos domicílios mais que triplica

Em 2010, a proporção de domicílios brasileiros somente com telefone celular (47,1%) predominava em relação aos que tinham só telefone fixo (4,7%) e aos que tinham fixo e celular (36,1%).

Em relação à existência de bens duráveis nos domicílios, entre 2000 e 2010, houve redução apenas da presença do rádio (de 87,9% para 81,4%). Todos os demais bens registraram aumento de presença, com destaque para o computador, que teve o maior aumento no período, de 10,6% para 38,3% dos domicílios.