Polícia encontra coquetéis molotov em prédio da reitoria da USP

Setenta estudantes foram levados à delegacia

A Polícia Militar informou ter encontrado sete garrafas de coquetel molotov, seis caixas de rojões e um galão de gasolina no prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) que estava ocupado por estudantes desde o dia 2. Os policiais revelaram que os alunos picharam paredes, danificaram móveis e computadores.

A Polícia cumpriu, às 7h20 desta terça-feira, a ordem judicial de reintegração de posse do prédio. O oficial de Justiça vistoriava o imóvel totalmente desocupado e, por volta das 7h45, entregou o prédio livre para o encarregado de segurança institucional da Guarda Universitária, Anderson Camopos. Foi assinado um documento para firmar a entrega. Alguns alunos tentaram ingressar no prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), mas as aulas estão suspensas.

A Polícia Militar permaneceria com um policiamento reduzido nos arredores do prédio para evitar outras ações. Os estudantes que haviam ocupado o prédio foram levados pela Tropa de Choque a três ônibus da PM, que os levariam até a delegacia.

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O primeiro veículo saiu com 23 alunos por volta de 6h45. Outro grupo de 23 rapazes foi em um outro ônibus por volta das 7h, e em um terceiro veículo foram levadas 24 alunas por volta de 7h15, totalizando 70 estudantes. Todos saíam com as mãos na cabeça, e passavam por um corredor formado por homens da Tropa de Choque até os coletivos.

De acordo com a coronel Maria Aparecida de Carvalho Yamamoto, chefe da comunicação social da PM, os estudantes seriam indiciados na delegacia por descumprimento de ordem judicial. Ao menos três, dos 70 estudantes, foram detidos porque tentaram furar o bloqueio da Tropa de Choque e retornar ao prédio da reitoria.

"O Choque ficará na universidade até a desocupação total do prédio. Depois disso, a Polícia Civil fará a perícia no local", afirmou a oficial. Segundo ela, participam da operação cerca de 400 homens e 50 viaturas da Polícia Militar.

Todos os 70 detidos que foram levados ao DP seriam identificados e passariam por um exame de corpo de delito em um posto avançado montado pela polícia científica. Todos devem ser processados por descumprimento de decisão judicial.

De acordo com o coordenador da Central de Flagrantes do 91º DP, José Carlos Gambarini, às 8h45 ainda havia delegados do distrito fazendo vistorias no prédio da reitoria da Universidade de São Paulo. De acordo com o estado em que tiverem deixado o prédio da universidade, no entanto, os estudantes poderão sofrer processo também por danos ao patrimônio público.

Reintegração

A Polícia Militar chegou à universidade e cercou o prédio da reitoria por volta das 5h para cumprir a ordem judicial de reintegração de posse do imóvel. O prazo para a desocupação estipulado pela Justiça já havia se esgotado, e o emprego da força policial estava autorizado desde as 23h.

Inicialmente não houve enfrentamento entre estudantes e os policiais do Batalhão de Choque. Pelo menos três estudantes foram detidos ao tentar furar o bloqueio policial e entrar de volta na reitoria. Os policiais impediram o retorno apenas com os escudos, sem o uso de cassetetes ou bombas de gás.

Histórico

A invasão aconteceu por parte de um grupo descontente com a resultado de uma votação em assembleia que decidiu, na terça-feira, por 559 votos a 458, encerrar a ocupação do prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). O grupo deslocou o portão de trás do edifício da Administração Central, usando paus, pedras e cavaletes, e em poucos minutos chegou ao saguão principal do prédio. A FFLCH havia sido ocupada depois que a PM abordou três estudantes no campus por porte de maconha na quinta-feira da semana passada e tentou levar os usuários detidos. Os policiais usaram gás lacrimogêneo, e alunos teriam ficado feridos após confronto.