A Polícia Civil de Alagoas concluiu o inquérito da morte do vice-presidente da Câmara de Vereadores da cidade de Anadia (interior do Estado), Luiz Ferreira (PPS). A prefeita de Anadia, Sânia Teresa (PT), o marido dela, Alessander Leal, o policial militar Cláudio Magalhães (primo da prefeita), o vigilante Adaílton Ferreira e mais três pessoas - atualmente foragidas - participaram da trama, com autoria intelectual da prefeita e do marido.
Todos tiveram as prisões preventivas decretadas pela 17ª Vara Criminal. "Sânia e o marido foram os autores intelectuais da morte. Eles planejaram o crime e as outras cinco pessoas executaram o Luiz Ferreira. Nós conseguimos comprovar que o assassinato foi pensado e praticado dessa forma", garantiu a delegada Ana Luiza Nogueira, que integra a comissão de delegados formada ainda por Kelmman Vieira e Maurício Henrique Duarte.
Eles investigaram o crime por 53 dias. O crime foi decidido na cidade de Arapiraca, e os contatos com os criminosos foram feitos pelo marido da prefeita. A Polícia encontrou um chip de telefone, em nome de um familiar de Sânia - que não é suspeito do crime. O chip foi comprado por Alessander.
De acordo com a polícia, Sânia e o marido, Alessander Leal, tramaram a morte do vereador - que seria o "voto de minerva" em um pedido de cassação contra a chefe do Executivo municipal por uma série de irregularidades, desde falta de licitação para a compra de merenda escolar e combustível até o remanejamento, sem autorização da Câmara, de R$ 7 milhões.
O pedido de cassação dependia de uma mudança no regimento da Câmara, que proíbe a cassação do chefe do Executivo municipal. O regimento seria alterado no dia 1 de setembro, mas faltou luz no plenário do legislativo municipal e a votação foi transferida para o dia 8. Luiz Ferreira foi executado três dias antes.
Horas antes de ser morto com 11 tiros, Luiz Ferreira anunciou em uma rádio, na cidade de Maribondo, que se lançaria como candidato à Prefeitura de Anadia. Sânia Tereza era candidata à reeleição e é investigada ou citada por corrupção em 11 órgãos, entre eles Ministério Público Estadual e Federal.
Sânia Tereza já se envolveu em outra confusão, no ano passado, com o vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Antônio Albuquerque (PT do B). Ela proibiu o parlamentar e um candidato dele de participarem de uma cavalgada, em Anadia. Em julho, o marido da prefeita agrediu um médico dentro do hospital da cidade. Ele teria se recusado a atender um afiliado político.