A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle ouvirá nesta quarta-feira o policial militar João Dias Ferreira sobre as denúncias feitas por ele de fraudes no Programa Segundo Tempo. O convite ao policial foi proposto pelo deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA).
Também deverá ser ouvido o motorista Célio Soares Pereira, que também fez acusações contra o ministro do Esporte, Orlando Silva.
“É importante que João Dias e Célio possam trazer, na riqueza de detalhes que já apresentaram à imprensa e na reunião com as oposições, todas as denúncias que pesam contra o Ministério do Esporte”, disse Magalhães Neto.
Em reportagem publicada na revista Veja, João Dias – ex-militante do PCdoB, partido ao qual o ministro é filiado – acusa Orlando Silva de estar envolvido em um esquema de irregularidades que, em oito anos, teria desviado mais de R$ 40 milhões do Segundo Tempo.
Em audiência na Câmara, na semana passada, Orlando Silva disse que não cometeu irregularidades na execução do programa e argumentou que, até agora, o policial não apresentou provas. O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, no entanto, avalia que o policial fez um depoimento “consistente e rico em detalhes” em reunião fechada com parlamentares da oposição.
“João Dias afirmou categoricamente que tem provas e que, no momento certo, está disposto a mostrar essas provas”. Magalhães Neto disse esperar que o policial entregue provas, como gravações e documentos, durante a audiência da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle.
“Quem ouve o João Dias percebe que havia uma quadrilha operando no Ministério do Esporte. Para confirmar ou não a existência disso, é fundamental que João Dias possa vir à Câmara e apresente as provas daquilo que está denunciando. A partir do que for dito e das evidências apresentadas, vamos querer que todos envolvidos sejam punidos, caso fique comprovada a sua participação em atos de corrupção. Não interessa se é governador, se é ministro”, disse Magalhães Neto.
O deputado disse que confia no trabalho da Polícia Federal, que vai apurar as denúncias contra o ministro. Ele lembrou ainda ter apresentado, em fevereiro deste ano, u requerimento que gerou a abertura de investigação no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre irregularidades envolvendo o programa Segundo Tempo.
Na audiência na Câmara, o ministro do Esporte disse que colocou seus sigilos à disposição e que pediu a abertura de inquérito na Polícia Federal e de investigação no Ministério Público para apurar as denúncias.
Orlando Silva chamou João Dias Ferreira de “desqualificado, criminoso e bandido”. “Quem tem provas contra ele sou eu, os autos dos processos que fizemos para recuperar os recursos públicos”, disse o ministro, que apresentou papéis do processo judicial contra João Dias Ferreira por suposto desvio de verba pública e enriquecimento ilícito.
O policial militar comanda duas ONGs que receberam recursos em convênios com o Ministério do Esporte e responde a processo judicial que tramita em segredo de Justiça, no qual o Ministério Público pede a condenação dele e a devolução de R$ 3,17 milhões aos cofres públicos. Em 2010, ele chegou a ser preso pela Polícia Civil de Brasília.
Para Magalhães Neto, porém, o discurso do ministro é de alguém que “está na defensiva, que quer se esquivar das graves denúncias que foram apresentadas contra o seu ministério”. O deputado disse que a situação do ministro do Esporte torna-se, a cada dia, mais insustentável.