Delator do esquema de corrupção nos Esportes vai depor na Câmara

Oposição conseguiu aprovar o convite para que o policial João Dias Ferreira preste depoimento

O líder do DEM na Câmara, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, conseguiu aprovar o convite para que o policial militar João Dias Ferreira, delator de suposto esquema de corrupção no Ministério do Esporte, preste depoimento na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. 

O partido conseguiu aprovar também o convite para que o motorista Célio Pereira Soares compareça à comissão. Célio disse em reportagem da revista "Veja" que entregava pessoalmente dinheiro do esquema ao ministro Orlando Silva na garagem do ministério. 

Ontem, o ministro Orlando Silva foi ouvido na Comissão de Educação e Esporte sobre as denúncias de irregularidades no Programa Segundo Tempo. O autor das denúncias, o policial militar João Ferreira Dias, foi recebido pela oposição, no Senado, e disse que está sendo ameaçado. 

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Ministério da Justiça vai conceder proteção a policial que acusa ministro

Depois de receber do PSDB um pedido de proteção para o policial João Dias Ferreira, o Ministério da Justiça informou no início da noite desta terça que vai dar proteção ao agente que denunciou um suposto esquema de corrupção no qual o ministro dos Esportes estaria envolvido.

O Ministério informou ainda que recebeu um ofício da liderança do PSDB solicitando, em caráter de urgência, proteção especial ao policial militar do Distrito Federal. 

O Departamento de Polícia Federal, em atendimento à determinação do ministro da Justiça, informou que a proteção será imediatamente concedida assim que João Dias Ferreira comparecer à sede da Superintendência da Polícia Federal do DF e solicitar a segurança.

O Ministério da Justiça informou também que entrou em contato com o comando da Polícia Militar do Distrito Federal  para que o policial João Dias Ferreira seja apresentado à PF para prestar depoimento e receber a segurança. O mesmo foi informado à bancada do PSDB.

Apesar de convidado a prestar depoimento, o policial ainda não apresentou pedido de proteção, sem o qual não é possível efetivar a proteção.

Temer: quando sai um ministro imediatamente se nomeia outro

O presidente da República em exercício, Michel Temer, deu a entender na noite desta terça que o governo já está se preparando para a saída do ministro dos Esportes, Orlando Silva, que vem sofrendo um bombardeiro nos últimos dias. Segundo Temer, a situação de Silva "não tumultua minimamente o governo: quando sai um ministro imediatamente se nomeia um outro e o governo tem sequência natural".

Ele deu essas declarações depois de proferir palestra em Salvador na abertura do 15º Congresso de Direito Administrativo. O presidente em exercício se referiu três vezes à possibilidade do ministro dos Esportes cair.

"O governo não para quando cai um ministro, mas o governo não está contando com isso", declarou. Logo depois, lembrou que, na saída dos outros ministros de Dilma Rousseff "não houve descontinuidade no governo".  Ponderou, no entanto, ser preciso "aguardar os acontecimentos".

Casco duro

O governador Jaques Wagner referiu-se ao termo que o ex-presidente Lula usou na última visita a Salvador para aconselhar os ministros de Dilma a terem "casco duro" e não pedir demissão quando começarem a ser atacados.

"Todo mundo que está na política não pode ser afeito só ao aplauso, independentemente se é um problema de desvio ou não. Quem está na política está para crítica. Ou seja, quem está na política tem reconhecimento, mas também apanha. Eu (por exemplo) já apanhei muito e já tive reconhecimento", disse.

Indagado se o caso de Orlando Silva não é semelhante aos outros ministros que caíram, Wagner ponderou que não se pode comparar os casos. "Cada denúncia é uma denúncia, cada explicação é uma explicação e aí tem muito de foro íntimo também de quem está se defendendo (...) a decisão é muito dele", afirmou.