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Amorim alerta sobre consequências de possível conflito armado com Irã

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Agência Brasil

BRASÍLIA - Em meio a mais uma rodada de sanções ao Irã, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje (27), durante viagem ao Oriente Médio, que um eventual conflito armado envolvendo o país terá consequências trágicas . Amorim disse que os esforços do Brasil são na tentativa de reconstruir o diálogo com entre o governo iraniano e a comunidade internacional.

Em entrevista à BBC Brasil, o chanceler disse que o Brasil continua considerando o diálogo, e não o isolamento, o melhor caminho para resolver a questão do projeto nuclear iraniano. Ao ser perguntado sobre os resultados de um eventual confronto armado envolvendo o Irã, o chanceler afirmou que: "[As consequências podem ser] absolutamente trágicas."

Porém, Amorim reiterou a expectativa de que será possível buscar um acordo e evitar o agravamento da crise já existente. Mas prefiro apostar na paz. E temos que continuar trabalhando para evitar que isso [confronto] aconteça , disse ele, lembrando que o Brasil não tem obrigação de acompanhar os países europeus, o Canadá e o Estados Unidos e apoiar as sanções unilaterais por eles decretadas.

A rodada de sanções, aprovada ontem (26) pela União Europeia e pelo Canadá, define a suspensão dos investimentos nos setores de gás e petróleo no Irã. Houve ainda uma orientação para ampliar a vigilância e a fiscalização sobre os bancos iranianos, além da adoção de restrições aos voos de carga. Segundo diplomatas, as medidas são mais duras do que se havia previsto inicialmente.

Para Amorim, é fundamental tentar negociar um acordo. Segundo ele, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, tem demonstrado essa disposição. Anteontem (25) o chanceler brasileiro encontrou-se com os ministros das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, e do Irã, Manuchehr Mottaki.

Durante a conversa, eles decidiram retomar os esforços para tentar negociar o acordo de troca de uânio definido em maio, mas logo em seguida rejeitado pela comunidade internacional, que optou pela imposição de sanções por meio do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em 17 de maio, o Brasil e a Turquia intermediaram um acordo com o Irã na tentativa de acabar com a crise gerada pelo desenvolvimento do programa nuclear daquele país. Pelo acordo, o Irã envia 1,2 mil tonelada de urânio enriquecido a 3,5% para a Turquia. Em troca, no prazo de até um ano, receberá 120 quilos do produto enriquecido a 20%.