Ana Paula Siqueira, Jornal do Brasil
BRASÍLIA - Fiscais do Instituto de Meio Ambiente da Bahia (IMA) foram à Fazenda São Roque, quinta-feira, para verificar se as obras realizadas no local estão dentro dos limites estabelecidos. A propriedade pertence ao candidato a Vice-Presidência na chapa de Marina Silva (PV), o empresário vede Guilherme Leal, que, no caso, vive uma situação paradoxal.
Um dos donos da Natura, empresa de cosméticos que tem como bandeira a preservação da natureza e o desenvolvimento sustentável, assim como seu partido e a própria Marina, Leal foi notificado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) para que apresente documentação que comprove permissão para construir no local, que fica numa Área de Preservação Ambiental (APA).
Uma das suspeitas era que um condomínio de luxo estaria sendo construído sobre área de vegetação nativa de Mata Atlântica, que não pode ser desmatada.
Há alguns dias, fiscais do órgão foram ao local, e o empresário foi notificado a apresentar licenças que comprovassem autorização para obras.
Por meio de nota, Leal rechaçou as acusações. De acordo com ele, a fazenda tem 80 hectares, mas apenas quatro teriam sido ocupados. Para o empresário, a denúncia tem cunho meramente eleitoral.
Segundo a assessoria do candidato, as obras no local são para a construção de uma casa, cinco bangalôs e uma área de lazer, apenas para uso particular. O IMA informou que a área em questão já estava sem a vegetação nativa quando o empresário comprou a fazenda.
Números controversos
Na documentação apresentada por Leal para comprovar a legalidade das obras estão a anuência prévia, que substitui a licença ambiental quando se trata de residência; a resposta à consulta feita ao Centro de Recursos Ambientais da Bahia (CRA), sob a necessidade de apresentar licença ambiental, e uma certidão da Prefeitura de Uruçuca, informando que as obras estão de acordo com a legislação aplicável ao uso e ocupação do solo no município.
Como informado por Leal, são quatro hectares ocupados. No entanto, na anuência prévia, consta que a área a ser construída seria de apenas 0,48 hectare.
O IMA foi ao local quinta-feira para verificar se a área construída está de acordo com o que foi apresentado na anuência prévia, obtida em 2007. Na próxima semana, será divulgado o relatório condensando todas as informações colhidas nas diligências realizadas pelo órgão, que comprovará ou não a veracidade das denúncias contra Leal.
A reportagem do JB entrou em contato com a Superintendência do Ibama em Brasília, que centralizou todas as informações referentes ao caso. Em dois dias de contato por telefone e e-mail, nenhuma informação foi passada pelo órgão. Apenas uma nota distribuída à imprensa na semana passada, que confirma que o órgão solicitou os documentos referentes à obra, foi encaminhada à reportagem.
Marina: pré-sal pode ajudar a Previdência
A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, defendeu quinta-feira que parte dos recursos da exploração de petróleo no pré-sal sejam usados para ajudar a cobrir o déficit da Previdência. A declaração foi feita durante sabatina realizada pelo portal de notícias R7.
Marina também insistiu na educação como bandeira política, e retomou o debate sobre a necessidade de melhorar a qualidade do ensino por meio da remuneração justa e formação continuada dos professores, da educação integral e da otimização dos gastos públicos na área.
Sobre sua saída do governo Lula, a candidata acusou o ex-governador Blairo Maggi (MT), e os ex-ministros Reinhold Stephanes e Mangabeira Unger de induzirem o presidente ao erro.
Queriam revogar o Plano de Combate ao Desmatamento.