Vídeo foi pegadinha, diz deputada do dinheiro na bolsa

Portal Terra

BRASÍLIA - A deputada distrital Eurides Brito (PMDB) afirmou, nesta segunda-feira, que o vídeo em que aparece colocando dinheiro na bolsa foi uma "pegadinha". A gravação faz parte do inquérito que investiga um suposto esquema de pagamento de propina no governo do Distrito Federal. "Na Justiça isso não serve como prova, porque não foi feito com autorização", disse a parlamentar, acrescentando estar sendo vítima de "perseguição política".

Nesta segunda, a deputada prestou esclarecimentos à Comissão de Ética da Câmara Legislativa, por conta do processo por quebra de decoro parlamentar. No depoimento, tentou desqualificar a oitiva realizada com o principal delator do suposto esquema de corrupção no DF, o ex-secretário de Relações Institucionais do governo Durval Barbosa.

Ela reclamou por não ter sido avisada da oitiva, dizendo que teria sido uma "oportunidade" para questionar o ex-secretário. Avaliou também que o depoimento contém contradições e trechos inaudíveis.

Para a relatora, Érika Kokay (PT), ao usar o depoimento do ex-secretário como base de sua defesa, a peemedebista acaba fazendo o caminho inverso. "Ela valida essa oitiva para produção de um relatório". A justificativa de Eurides para os alegados R$ 30 mil que aparece recebendo de Durval Barbosa no vídeo é de que a quantia seria um ressarcimento de reuniões pré-campanha realizadas por ela para Joaquim Roriz, que nega a versão.

Questionada se não achou estranho receber em espécie um pagamento que poderia ter sido feito por transação bancária, a parlamentar disse que não indagou o pagador sobre a forma escolhida. "Eu estava ansiosíssima para receber o dinheiro que estava precisando".

Na noite de sexta-feira, a Justiça do DF determinou o afastamento de Eurides do exercício do mandato até a conclusão das apurações. A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público (MP) do Distrito Federal. O MP alega que Eurides Brito responde ação de improbidade administrativa por suspeita de envolvimento no mensalão do DEM, que seria comandado pelo ex-governador José Roberto Arruda. O esquema é investigado pela operação Caixa de Pandora.

No entanto, a peemedebista alega não ter sido notificada da decisão e, desta forma, ainda estar no cargo. Sua defesa deverá entrar com recurso contra o afastamento até terça-feira.