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DA REDAÇÃO - O professor de Relações Internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser afirmou nesta segunda-feira que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, não aceitou antes um acordo sobre o uso de material nuclear porque podia se configurar como uma "submissão a sanções internacionais". Para ele, a mediação de Brasil e Turquia foi um passo importante para a aceitação do Irã, porque criou um cenário diferente de quando um acordo semelhante foi proposto, em outubro de 2009.
O acordo prevê que o Irã envie à Turquia 1,2 mil kg de urânio de baixo enriquecimento por urânio enriquecido a 20% para ser usado em pesquisas médicas. Pelo acordo, o urânio enriquecido será remetido no prazo de um ano. Nesse período, haverá supervisão de inspetores turcos e iranianos.
Para o especialista, no entanto, Ahmadinejad "joga em cenário duplo". "De um lado, (o Irã) joga com organizações internacionais e governos, e, de outro, com a opinião pública interna que é um fator importante", disse. De acordo com Nasser, o acordo também é uma "vitória" para o público interno do líder do Irã, com quem o presidente tenta ganhar credibilidade.
Nasser disse que ainda há muito a ser discutido sobre o uso de urânio enriquecido pelo Irã, mas que é preciso que os demais países "depositem fé na diplomacia". "Uma negociação diplomática não pode ficar no processo de se julgar intenções", afirmou.