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BRASÍLIA - Em nota divulgada neste sábado, a deputada da Câmara Legislativa do Distrito Federal Eurides Brito (PMDB) afirma ter sido "surpreendida" pela notícia sobre seu afastamento imediato do exercício do mandato, determinado nesta sexta-feira pela 2ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal. A deputada aparece em um vídeo do inquérito que investiga o suposto esquema de pagamento de propina no DF, conhecido como mensalão do DEM, colocando dinheiro na bolsa.
O texto distribuído pela assessoria de imprensa da parlamentar diz que Eurides "sabe que a decisão da Justiça foi tomada com base em matéria jornalística" e acrescenta que ela "já orientou" seus advogados para entrar com recurso contra o afastamento. "É no mínimo estranho que uma decisão de tal importância seja proferida em caráter liminar, após o término do expediente forense. Ou seja, após as 19h, em uma sexta-feira, inviabilizando qualquer defesa de imediato", diz a nota.
A deputada reclama ainda da divulgação da notícia sem que ela fosse "sequer intimada, comunicada ou ouvida". A nota afirma que a peemedebista está "confiante nas garantias constitucionais e legais, em particular, repita-se, o da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal". E que tomará "as providências necessárias que o Estado Democrático de Direito assegura a todos os cidadãos".
Ao optar pelo afastamento da deputada nesta sexta-feira, a Justiça atendeu a um pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. O MP alega que Eurides Brito responde por ação de improbidade administrativa por suspeita de envolvimento no mensalão, que seria comandado pelo ex-governador José Roberto Arruda. O esquema é investigado pela operação Caixa de Pandora.
Segundo o MP, uma matéria veiculada no jornal Correio Braziliense em 28 de abril descreve uma estratégia adotada por deputados distritais para "blindar" a parlamentar. Assim, na avaliação dos promotores, a parlamentar continuaria a agir em prol da organização criminosa instalada na capital da República "seja para encobrir fatos passados - ocultando provas, dinheiro e corrompendo testemunhas, como para impedir que se desvendem fatos futuros".