PF prende 11 suspeitos pelo desvio de R$ 300 milhões

Jornal do Brasil

CURITIBA - A Polícia Federal prendeu terça-feira 11 pessoas suspeitas de desviarem R$ 300 milhões dos cofres públicos por meio de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) sediada em Curitiba, conhecida com Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap).

Segundo a Polícia Federal, os recursos desviados deveriam custear projetos em áreas como saúde, educação e ação social. As investigações revelaram que o Ciap faturou mais de R$ 1 bilhão nos últimos cinco anos, dos quais R$ 300 milhões teriam beneficiado pessoas e empresas.

Auditoria realizada pela Controladoria Geral da União (CGU) ainda mostrou que, em Londrina, de um total aproximado de R$ 35,5 milhões recebidos pelo Ciap, mais de R$ 10 milhões foram gastos sem a comprovação das despesas.

Entre os presos, cinco foram detidos em Londrina. O presidente do Ciap, Dinocarme Aparecido Lima, foi preso em Curitiba. O diretor do centro Juan Carlos Monastiero também foi preso. Mais de 200 agentes públicos foram mobilizados na ação, batizada de Operação Parceria.

Aquisições suspeitas

O grupo também é acusado de lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem tributária, aquisições suspeitas de títulos podres da dívida pública e de imóveis rurais no estado do Pará que seriam inexistentes. O esquema tinha ramificações em São Paulo, Goiás e Maranhão.

De acordo com a CGU, os indícios indicam que o grupo contava com a atuação prévia de lobistas para direcionar os recursos públicos.

Os valores dos contratos seriam superdimensionados e os serviços, superfaturados. Além disso, a CGU afirma que o Ciap manipulava dados contábeis e financeiros para dificultar o rastreamento do dinheiro .

As fiscalizações demonstraram que, na prática, o Ciap funcionou como uma empresa de terceirização de mão-de-obra, que fornecia profissionais para a execução dos projetos.

Uma das justificativas do Ciap para as transferências de recursos é que eram reembolso de despesas transferidas de outras contas ou da matriz, a título de adiantamento. A PF, contudo, afirma que os gastos com essas despesas eram exorbitantes: de 30% a 40% dos recursos repassados.

Segundo a CGU, este índice é superior ao cobrado pelas empresas que atuam com terceirização de mão-de-obra, que não ultrapassa os 5% dos custos totais das atividades.