PT se fortalece em chapa de Jaques Wagner para o Senado

Claudio Leal, Portal Terra

BRASILIA - Depois do recuo do senador César Borges (PR), ex-afilhado político de ACM cooptado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), os petistas podem sair fortalecidos na chapa do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).

A frente governista conta com três nomes consolidados, mas não totalmente imunes a ajustes: além de Wagner, candidato à reeleição, Otto Alencar (PP) deve ocupar a vice e a deputada federal Lídice da Matta (PSB), uma das vagas do Senado. Com a desistência do PR, a executiva do PT recebeu o aval para discutir a candidatura própria ao segundo posto de senador.

Nesta segunda-feira, 19, os petistas se reuniram em Salvador para iniciar os debates internos. Do Palácio de Ondina, há a recomendação de que o nome tenha "peso político-eleitoral" e não seja garimpado somente no PT. Nos bastidores, os petistas recobraram a "autonomia" e pretendem definir-se por um dos três pré-candidatos apresentados ontem: o ex-ministro da Defesa Waldir Pires e os ex-deputados federais Walter Pinheiro e Nelson Pelegrino. Aliado do governador, o deputado estadual Marcelo Nilo (PDT) é um dos cotados.

O presidente estadual do PT, Jonas Paulo, defende uma escolha consensual, sem a realização de prévias. Ainda que se mantenha em relativa reserva, este também é o desejo de Wagner, sabedor dos ânimos conflituosos das correntes internas do partido.

Por ora, a escalação das tendências: a Democracia Socialista e a Reencantar querem Pinheiro; a EDP (Esquerda Democrática Popular), Pelegrino; a CNB (Construindo um Novo Brasil), Waldir Pires, também apoiado por lideranças representativas do PT, como Emiliano José, Zezéu Ribeiro, Geraldo Simões e Joseph Bandeira.

"O partido me designou para conversar com os aliados sobre a complementação da chapa. Wagner tem a tendência de definir o vice e colocou o partido para conduzir as conversas sobre o Senado. Ele não fez um pedido pessoal, não apoiou previamente um nome", diz o presidente regional, Jonas Paulo. Na próxima segunda-feira, a executiva deve reunir-se outra vez. O PSB e o PCdoB integram as articulações.

Os debates consomem as noites dos petistas, mas, por antecipação, aceita-se que Jaques Wagner defina seus companheiros de chapa. Os defensores da candidatura Waldir Pires o apontam como o único candidato "suprapartidário" (isto é, acatado pelos demais aliados e com manancial de votos de ex-governador), mas Pelegrino e Pinheiro têm forte liderança na militância petista.