Jornal do Brasil
BRASÍLIA - A contradição entre dois laudos psiquiátricos, um deles produzido um ano e sete meses antes do pedófilo Adimar Jesus da Silva ser solto e o outro às vésperas da libertação, no final ano passado, contribuíram com os assassinatos de seis adolescentes de Luziânia (GO). Os primeiros exames demonstravam a periculosidade do pedreiro: sinais de sadismo e transtornos psicopatológicos . Já o segundo, que amparou a progressão da pena, descreve o criminoso como um homem polido, coerente e sem sinais de doença mental .
Assinado por três peritos do Centro de Observação Criminológico da Secretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal, o primeiro laudo não deixa dúvidas sobre os riscos que a concessão de liberdade implicavam. Os peritos viram no padreiro indícios sérios que favorecem a prática de delitos sexuais. Sinais de sadismo, uma perversão sexual em que a busca de prazer se efetua através do sofrimento do outro. Sinais de transtornos psicopatológicos também se fizeram presentes .
Na época não foi requisitado e nem os peritos fazem qualquer menção sobre as condições de Adimar para conseguir a progressão de regime. No novo exame, feito poucos dias antes de o pedófilo ser libertado não há qualquer referência às conclusões anteriores.
Adimar foi libertado no dia 23 de dezembro do ano passado, depois de cumprir quatro dos dez anos e dez meses por ter abusado sexualmente de dois adolescentes em Água Claras, cidade satélite de Brasília. Uma semana depois, faria sua primeira vítima, Diego Rodrigues Alves, de 13 anos de idade. A ironia é que o laudo em que ele é descrito como psicopata perigoso não passou despercebido pela promotora Maria José Miranda Pereira, do Ministério Público do Distrito Federal. No dia 14 de janeiro ela pediu que a justiça determinasse uma fiscalização sistemática em Adimar. Mas já era tarde: o pedófilo já havia matado quatro garotos. Um oficial de justiça chegou à sua casa, no Bairro Estrela Dalva, em Luziânia, numa noite em que Adimar, por acaso, se encontrava. Nos dias seguintes ele abusaria e mataria mais dois adolescentes. A polícia suspeita que o criminoso matou outros adolescentes e reforçou as buscas ao local onde ele sepultou os seis adolescentes.