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Sombra afirma que "mensalão" ainda está em curso no DF

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Claudia Andrade, Portal Terra

BRASÍLIA - O jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, pivô do flagrante de suborno que levou à prisão do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), afirmou nesta quinta-feira que o mensalão continua no DF.

A Polícia Federal investiga o suposto esquema de pagamento de propina no governo distrital por meio da Operação Caixa de Pandora. Sombra é uma das testemunhas do inquérito.

"(O mensalão) ainda está acontecendo. (Os achaques) continuam tanto empresarialmente como politicamente", disse. "A coisa pública virou um balcão de negócios. Ainda há barganha envolvendo empresas, contratos milionários, renegociações de contratos já denunciados."

Na opinião do jornalista, as prisões e as investigações feitas até agora não coibiram os achaques. "Não digo nem coibir: não conseguiram amedrontar. Parece que a cidade não existe, a cidade politicamente se dividiu em grupos de interesses pessoais, ninguém está pensando na população, com raríssimas exceções", afirmou.

Esta semana, após prestar novo depoimento à PF, Sombra disse que ainda é alvo de ameaças. "São ameaças recentes, mas eu não tenho receio, não sou de ficar escondido", disse.

Ele afirmou ainda ter sido alvo de outra tentativa de suborno, antes da que foi flagrada pela PF e resultou na prisão de Arruda e outras cinco pessoas. A tentativa anterior teria partido de um ex-secretário de governo, cujo nome o jornalista não revelou.

Sombra contou ainda ter se encontrado com o ex-vice-governador Paulo Octávio, em dezembro passado, para pedir apoio a um eventual governo. O jornalista disse "desafiar" o ex-vice-governador para uma acareação para comprovar o que diz.

O advogado do ex-vice-governador, Antonio Carlos de Almeida Castro, confirma o encontro, mas nega que o teor da conversa tenha sido apoio para um eventual governo de Paulo Octávio.

"Essa história não tem nenhuma procedência. Ele foi convidado pelo Sombra, que queria falar sobre uma fita (gravação)", disse o advogado. "Brasília estava fervendo naquela época. Mas isso não tem nenhuma importância, nenhuma relevância jurídica."

O advogado afirmou ainda que entrará na próxima semana com uma queixa-crime contra o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, principal delator do suposto esquema de corrupção.

Em depoimento à CPI da Corrupção, na última terça, Barbosa negou-se a responder a perguntas dos deputados distritais, mas disse que o que o motivou a colaborar com as investigações foram os "achaques do senhor Arruda e do senhor Paulo Octávio". "Eu não estava mais aguentando. Por isso tive a iniciativa de me livrar desse mal que estava me corroendo", afirmou.

Sombra afirmou que "não se arrepende¿ de ter contribuído com as investigações e disse que continuará contribuindo, se necessário. Sobre a situação do DF, que terá eleições indiretas para governador e vice-governador no dia 17 deste mês, o jornalista disse que o pleito pode ajudar a melhorar a situação "se tiver um nome probo, honesto, trabalhador".

"Precisa ser alguém que corte a gordura dos contratos da administração pública. Tem que ter a bandeira de moralizar e tem que por em prática urgente", disse. "Se for ficar de conversa, não vai adiantar." A reportagem do Terra tentou entrar em contato com a comunicação do governo do DF, mas não conseguiu retorno.