Agência Notisa
SERGIPE - De acordo com estudo publicado no periódico Estudos Econômicos, do Instituto de Pesquisas Econômicas da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, o capital humano que é composto pelas capacidades, conhecimentos e atributos pessoais que influem na capacidade de realizar trabalhos com o fim de produzir algum valor econômico é um dos principais fatores na determinação do nível de renda. O trabalho é da autoria de Ricardo Corrêa Cangussu, economista pela PUC-MG, e colegas, e foi veiculado na edição de março de 2010.
Segundo os autores, para colheita de dados, foi realizado levantamento com informações obtidas a partir do endereço eletrônico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), referentes ao período entre 1980 e 2002. Os pesquisadores utilizaram variáveis como: produto interno bruto (PIB) per capita; população residente, sendo que a taxa de crescimento da população residente é mensurada pela taxa de variação das estimativas das populações residentes segundo as unidades da federação; consumo de energia elétrica industrial como referência para o capital físico (itens não-humanos que beneficiam a produção do trabalho), sendo medido em mega-watts-hora; e anos de estudo das pessoas com 25 anos e mais, como referência para o capital humano.
Entre os resultados do trabalho, os economistas revelam que em 1980 o PIB per capita do Piauí era apenas 10% do PIB per capita do Distrito Federal. Após 22 anos, o cenário não sofreu mudanças significativas; em 2002 passou para 13%. Alguns Estados conseguiram diminuir o diferencial de renda consideravelmente, como Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe .
Eles também constataram uma elevada desigualdade no nível educacional entre os estados brasileiros e a diferença de anos de estudo da população com 25 anos ou mais do Distrito Federal e do Piauí, no início do período, chegava a ser de mais de quatro anos . Eles afirmam que deve-se notar a elevação do desnível educacional entre Roraima e o Distrito Federal, por exemplo. O primeiro, no mesmo período analisado, perdeu quatro posições no nível de produto per capita. Sergipe, que quase dobrou os anos de escolaridade da sua população com 25 anos ou mais, apresentou a maior taxa de crescimento do PIB per capita no período. O Estado do Paraná, além de aumentar em praticamente três anos a média de escolaridade da sua população e ganhar seis posições, apresentou uma das maiores taxas de crescimento econômico no período , declaram.
Para Ricardo e colegas, o capital humano foi decisivo em todos os resultados. O impacto desse fator no PIB per capita é maior que o impacto do capital físico mesmo quando se controla para a especificidade de cada Estado, o que contradiz resultados empíricos de estudos anteriores , asseguram.