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Estudantes do Rio se engajam na luta pela manutenção dos royalties

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Carlos Braga , Jornal do Brasil

RIO - Presidente do Grêmio do Colégio Santo Inácio, localizado em Botafogo, Lucas Garcia, de 17 anos, aluno do terceiro ano do Ensino Médio, conta que está trabalhando para mobilizar o maior número possível de alunos da escola para protestar contra a emenda que retira do estado do Rio recursos oriundos dos royalties do petróleo.

Somos contra esta mudança de regra, queremos que este dinheiro fique no Rio protesta Lucas. Estamos fazendo cartazes, que espalharemos por todo o colégio.

Lucas conta que a estratégia de afixar cartazes pelo colégio foi criada com o objetivo de informar os alunos sobre a questão da perda dos royalties. A outra finalidade é tentar convencer seus colegas a participaram da manifestação marcada para a tarde de quarta-feira.

Muitos alunos não têm a menor idéia do que está acontecendo nessa questão dos royalties conta Lucas. Nossa ideia é divulgar essas informações sobre a questão dos royalties para o maior número de pessoas. Também estamos conversando com as pessoas no corredor durante o intervalo das aulas. Vamos tentar formar um grupo grande e ir de metrô para a manifestação.

Aluna de educação física do Centro Universitário Bennett (onde o governador Sergio Cabral deu aula magna, segunda-feira à noite, para marcar o início do ano letivo), Amanda Lopes, 27 anos, disse que a princípio ficou a favor da proposta que distribuía para outros estados parte dos recursos dos royalties do petróleo que vêm para o Rio. Mas, agora, ela se declara contra a idéia.

Se dividirmos os recursos dos royalties deveria haver uma forma de compensação para o estado pondera Amanda. Hoje sou a favor de que se mantenha a divisão como existe. Acho que esse dinheiro deveria ser primordialmente investido em segurança e saúde. Segurança está em baixa no Rio. Outro dia fui assaltada em frente ao Palácio das Laranjeiras, onde o Cabral trabalha.

Contra a quebra

Os amigos Marco Félix, 22 anos, e Maíra Ferreira, 19 anos, ambos estudantes de arquitetura da Bennett, também se declaram contra a emenda do deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB-RS). Eles consideram que a retirada de grande parte dos recursos provenientes dos royalties podem tornar inviáveis as obras previstas para a Olimpíada e para a Copa do Mundo.

O dinheiro dos royalties tem que ficar com a gente disse Marco. O estado vai ficar pior do que já está sem ele, vai quebrar.

Estudantes de diversas cidades do estado do Rio também estão se mobilizando para participar da manifestação convocada pelo governador Sergio Cabral. A diretora de grêmios da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Gabrielle D'Almeida, conta que os alunos destas cidades devem vir para a capital em cerca de cem ônibus.

Em aula magna, governador aposta em Lula

O governador Sergio Cabral reafirmou segunda-feira que o estado do Rio vai quebrar caso a emenda do deputado federal Ibsen Pinheiro seja aprovada. Mas ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe disse que vetaria o projeto caso isso acontecesse. O governador Sérgio Cabral deu uma aula magna segunda-feira à noite no Centro Universitário Bennett, no Flamengo.

Se a emenda for aprovada o Rio deixa de ter recursos para fazer qualquer tipo de investimento disse Cabral, antes de se dirigir ao auditório onde daria a aula magna. É mais grave do que as pessoas estão imaginando. Deixar de ter R$ 5 bilhões em caixa é muito dinheiro. Até mesmo para estados ricos como o da Califórnia. Isto não é terrorismo, não é ameaça. Para o PAC, para tudo.

Copa inviabilizada

Confrontado com a informação de que o líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), teria dito que o argumento de Cabral, de que a preparação da cidade para a Copa do Mundo e para a Olimpíada seria inviabilizada com a perda dos royalties, era infundado, Cabral respondeu:

Ele deveria ter trabalhado mais para confirmar o acordo que foi feito na frente dele.

Cabral voltou também a criticar a inconstitucionalidade da emenda. Segundo o governador, a emenda não poderia tratar de receitas atuais licitadas, que já estão sob contrato.

Há receitas previstas, esta medida é inconstitucional disse o governador.