Advogado diz que homem que matou ex a tiros é desequilibrado

Portal Terra

BELO HORIZONTE - O Departamento de Investigações da Polícia Civil apresentou, nesta sexta-feira, o borracheiro Fábio Willian da Silva Soares, que matou com nove tiros a ex-mulher, na última quarta-feira. O borracheiro não quis dar declarações. Quem falou por ele foi o advogado Ércio Quaresma, que afirmou que o cliente é "desequilibrado mental" ao justificar o crime.

O crime aconteceu no salão da vítima, a cabeleira Maria Islaine de Morais, 31 anos, e foi gravado pelo circuito interno do estabelecimento, que fica no bairro Santa Mônica, região norte de Belo Horizonte.

Soares foi preso ontem na cidade de Biquinhas, a 330 km da capital mineira, para onde fugiu após o assassinato. Quando foi abordado por policiais militares, ele tentava comprar um par de sandalhas, já que declarou ter perdido os sapatos durante a fuga. Ele foi encaminhado a um Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp). Ainda hoje ele deve passar por uma avaliação para saber se ficará em uma cela comum outros presos, ou isolado em uma cela especial.

"Ele está completamente transtornado. Nós não estamos tratando de um animal", afirmou o advogado. "Pimenta Neves (jornalista que matou a namorada) não foi execrado publicamente; aquele cidadão do banco Oportunitty (Daniel Dantas) não foi execrado publicamente; quatro policiais civis, inclusive de um deles eu fui advogado, acusados de sumir com 40 kg de cocaína, não foram execrados publicamente."

Questionado sobre o fato dos suspeitos citados acima não terem sido filmados praticando o crime, como o borracheiro foi, Quaresma respondeu: "a diferença sobre ser ou não filmado praticando um crime é que eu queria ver o José Roberto Arruda (governador do DF) e o presidente da Câmara Legislativa (do DF) algemados sendo apresentados à imprensa".

Segundo familiares da cabeleireira, antes de ser morta ela chegou a registrar oito boletins de ocorrência na polícia contra o ex-marido por ameaças. Em gravações telefônicas feitas por ela, Soares aparece dizendo que a mataria caso ele perdesse a casa no processo de separação.

O Delegado Álvaro Romero Huertas dos Santos, responsável pela apuração do crime, disse que o borracheiro ainda não quis entrar em detalhes sobre a motivação do assassinato.

"Não foi feito interrogatório ainda, foi só entrevista formal. Até por questão pessoal ele não falou muita coisa, mas tudo indica que foi por questão de separação, por motivo de ciúmes e divisão de bens", disse.

Santos afirmou que o suspeito demonstrou frieza durante o depoimento. "Ele falou que possivelmente ela teria uma outra relação pessoal e ele também uma nova relação. A arma do crime não foi localizada até então", afirmou. "Ela foi jogada no caminho da fuga após o crime."

Soares vai responder ao inquérito preso. "A princípio ele vai responder por crime de homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e por não ter dado oportunidade a vitima de reagir ao crime."