Decisão sobre caças será definida por Lula e Jobim, diz Amorim

Portal Terra

GENEBRA - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira, em Genebra (Suíça), que será política a decisão final sobre a compra de 36 aviões-caça pelo governo brasileiro. Segundo o ministro, a definição será dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. O projeto de compra dos aviões teria causado divergência interna, uma vez que setores do governo defenderiam a compra de aviões franceses, enquanto a Aeronáutica seria favorável aos suecos.

- Vamos levar em em conta as questões técnicas, mas a decisão final cabe ao ministro da Defesa e ao presidente da República - afirmou o chanceler, em entrevista coletiva concedida hoje, ao lado do ministro de Negócios da Palestina,Riad Al-Maki. - Não é uma decisão exclusivamente militar. É uma decisão política.

De acordo com informações atribuídas ao Comando da Aeronáutica, o ideal seria comprar o caça Gripen NG, da empresa sueca Saab. Para os militares, esta seria a opção adequada para o projeto FX-2 que visa à renovação da frota aérea nacional com a compra de 36 aeronaves. Porém, o presidente Lula manifestou interesse em adquirir os aviões do consórcio francês Rafale Internacional.

Em setembro do ano passado, Lula indicou que a decisão sobre a compra dos caças será política e estratégica. "A FAB Força Aérea Brasileira tem o conhecimento tecnológico para fazer a avaliação. Agora, a decisão é política e estratégica, e essa é do presidente da República e de ninguém mais", afirmou ele. Empresas norte-americanas, franceses e suecas estão na concorrência para a venda dos caças ao Brasil.

Na terça-feira a Aeronáutica confirmou ter concluído o relatório sobre as propostas apresentadas pelas três empresas finalistas: a sueca Saab, fabricante do modelo Gripen NG; a norte-americana Boeing, responsável pelo caça F-18 Super Hornet, e o consórcio Rafale International, liderado pela francesa Dassault. Mas não divulgou o resultado.

O assunto será tema de análise do presidente Lula na próxima semana quando ele retorna a Brasília depois um curto período de férias na Bahia.