Ex-promotor diz que procurou a polícia e acredita em destino

Vagner Magalhães , Portal Terra

SÃO PAULO - O ex-promotor de Justiça Igor Ferreira da Silva, preso nesta segunda-feira na zona leste de São Paulo após passar mais de oito anos foragido disse que foi ele quem se apresentou à polícia. Segundo a versão dos delegados, o ex-promotor, condenado pela morte de sua mulher, foi localizado após denúncia anônima.

Igor Ferreira da Silva foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão por assassinar sua mulher, Patrícia Aggio Longo, em 1998, na cidade de Atibaia, interior de São Paulo. Desde a sentença, proferida em 2001 pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça, ele ficou foragido.

Segundo a delegada responsável pela prisão, Adanzil Limonta, o ex-promotor foi encontrado em uma calçada na região da Vila Carrão, na zona leste.

"Recebemos a denúncia e, em cerca de 20 minutos, ele estava no local. Ele estava na calçada, aparentemente esperando alguém, abatido e bastante nervoso. Quando recebemos a denúncia, eu quase não acreditei, mas fomos lá conferir", disse a delegada.

Segundo ela, o único pedido do preso foi para não ser colocado na viatura. Ele foi levado à delegacia no carro particular da delegada escoltado pela polícia. Ele afirmou às autoridades que durante todos esses anos nunca saiu do Brasil e que passou parte do tempo no interior de São Paulo. De acordo com os delegados que participaram da prisão, ele chegou a alegar que sua prisão foi obra do "destino".

Na noite desta segunda-feira, ele foi levado ao Instituto Médico Legal de Arthur Alvim, na zona leste, para ser submetido a exames de corpo de delito. Segundo a polícia, amanhã o preso deve ser transferido para a penitenciária de Tremembé, no interior.

Honra

O titular da 5ª Delegacia Seccional, Nelson Silveira Guimarães, disse que a prisão do ex-promotor era "um ponto de honra para a polícia".

"Nesse tempo todo, fomos cobrados muitas vezes por não termos conseguido prendê-lo. Estávamos trabalhando há muito tempo nisso e acabamos efetuando a prisão por meio de uma denúncia anônima", disse.

Segundo o delegado, o ex-promotor está muito abatido, pesando cerca de 50 kg, com os dentes estragados e perdeu um pouco de cabelo. "A impressão que nós temos é que ele teve uma vida bastante difícil esse tempo todo. Não é fácil ser foragido. A pessoa ouve barulho de um telefone, uma sirene e não tem sossego".