Jornal do Brasil
BRASÍLIA - No Brasil, para cada morte no trânsito, 11 pessoas são internadas, das quais 49% atropelados, 25% de acidentados com motos. Para cada morte, ocorrem quase mil colisões, o que evidencia um comportamento de risco por parte do motorista, que está mal preparado para conduzir ou transportar, avalia o ortopedista Marcos Musafir, consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Essas questões serão discutidas no Seminário Internacional de Traumas no Trânsito, que ocorre este mês no Rio. O seminário também servirá para mostrar ao diretor do Departamento de Violência da OMS, Etienne Krug, que o Brasil está melhorando os índices de mortalidade e morbidade no trânsito
Em 1997, quando havia 12 milhões de pessoas habilitadas ao uso de veículos a menos no Brasil, 55 mil pessoas eram mortas por ano em função de acidentes no trânsito. Esse número baixou para cerca de 40 mil óbitos/ano. O custo com as mortes e os feridos no trânsito no Brasil alcança em torno de R$ 10 bilhões por ano, segundo dados do Ministério das Cidades.
Para Musafir, apesar da redução da mortalidade, é preciso melhorar os hospitais, para dar um atendimento melhor à população, e aumentar a fiscalização. Musafir é consultor da OMS para traumas em geral, com destaque para os traumas músculo-esqueléticos, que abrangem braço, perna e coluna.
O médico disse que a OMS está usando como exemplo no mundo a Operação Lei Seca do Rio de Janeiro, realizada diariamente em vários pontos da cidade e que utiliza as vítimas de acidentes de trânsito para a conscientização da população.
Isso tem uma repercussão internacional excepcional. Também é um fator que soma para entender que o Brasil está se esforçando para isso disse.
As recomendações feitas pela OMS para diminuir as consequências dos acidentes do trânsito são conhecidas em todo o mundo. O Brasil já aplica muitas delas, disse Musafir.
São as regras básicas do trânsito seguro e saudável. Primeiro, respeito às leis do trânsito. Quem cumpre as leis do trânsito evita se expor a riscos e, logicamente, evita acidentes.
Pela lei, os motoristas devem estar atentos ao limite de velocidade, respeitar a sinalização, usar cinto de segurança, nunca consumir droga ou bebida alcoólica para dirigir, manter as crianças no banco traseiro com cinto de segurança ou em cadeiras próprias. Essas medidas servem para que se tenha redução dos riscos, afirma o ortopedista.
O consultor da OMS destacou, ainda, que em países como a Índia e a China, o trânsito é extremamente perigoso. Na China, por exemplo, são produzidas 3 mil motocicletas por hora. E o número de mortos chega a 500 pessoas por dia. (Com ABr)