Hermano Freitas , Portal Terra
SÃO PAULO - Sondado por seu partido para compor chapa com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), considerada um plano B na sucessão do governo Lula em 2010, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT-SP), manifesta clara preferência pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Apesar da simpatia pelo ex-governador do Ceará, o pedetista lembra a relação antiga que tem com a ministra, "companheira desde os tempos da fundação do PDT" e diz que "vai trabalhar" para a "candidatura única" que garanta a continuidade da base governista no poder.
Em São Paulo para a convenção estadual do partido neste sábado, o ministro aproveitou para desqualificar a candidatura da ex-ministra Marina Silva (PV) dizendo que Heloísa Helena terá mais votos.
Confira a entrevista na íntegra:
O PDT tem definido uma linha para a sucessão 2010, se vai apoiar a candidata do presidente Lula ou se vai lançar candidatura própria ou entrar com o bloquinho?
Eu defendo a seguinte tese. Acho que temos de fazer deste primeiro turno o segundo turno. Polarizar. Quem é a favor do governo Lula, da continuidade, e quem é contra. Eu sei quem é contra: a chapa Serra e Aécio. Então nós temos que construir uma chapa forte para garantir a continuidade do governo e para a opinião pública poder dizer se quer ou não continuar com as políticas que o Lula hoje pratica. Eu defendo que o governo Lula tenha uma única candidatura. Hoje, a candidatura que se apresenta como a preferida do presidente é a da companheira Dilma (Roussef, ministra-chefe da Casa Civil) que é minha amiga de fundação do PDT há 30 anos. Ao mesmo tempo, quando se coloca o Ciro (Gomes, deputado federal pelo PSB), que é um candidato que eu já apoiei, estivemos juntos em campanha e não temos dificuldade nenhuma, mas eu não acredito que o companheiro Ciro sairá candidato sem o presidente Lula autorizar e incentivar. Por isso, minha tese é de que teremos que ter candidatura única e, até o momento, esta candidatura é a da Dilma. É o que penso e vou trabalhar para isso.
O discurso da oposição está esvaziado com o sucesso do governo?
A oposição terá que buscar discurso, porque não tem. Vai questionar o que, as vitórias que o Brasil teve? Com o mundo desempregando, com 235 mil demitidos no mercado de trabalho americano e com o Brasil empregando 238 mil vai dizer que o País está mal? Que não está controlando a inflação? Vai reclamar das políticas sociais? Acho que a oposição não tem discurso. Por isso se nós, governo, tivermos juízo e soubermos construir essa polarização, vamos contrapor quem está a favor do governo Lula e quem quer votar contra e esperar o povo decidir.
A candidatura da Marina (Silva, senadora pelo PV) não divide a base governista?
Marina é uma mulher de bem, séria, honrada, mas não tem sustentação regional para garantir nada. Entre ela e a Heloísa Helena, creio que esta capitalizará muito mais o voto da população por seu nome ser mais conhecido nacionalmente, uma vez que já foi candidata, do que a Marina. Então, na minha opinião, faltará à candidatura da Marina a sustentação de palanques regionais para dar viabilidade a ela.