Agência Brasil
BRASÍLIA - No Dia Nacional do Cerrado, comemorado nesta sexta-feira, índios de diversas etnias vão participar de uma corrida tradicional, com toras de madeira nas costas, na Esplanada dos Ministérios. O ritual deve seguir até o Congresso Nacional, onde os indígenas vão entregar a Carta do Cerrado às autoridades solicitando maior atenção do governo ao bioma.
De acordo com o coordenador da Rede Cerrado, Braulino dos Santos, a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 115/95, que torna patrimônios nacionais o Cerrado e a Caatinga, será uma das reivindicações apresentadas no documento. - Queremos uma legislação que proteja o Cerrado assim como os outros biomas. Esperamos a compreensão dos nossos políticos. Eles sabem que se não aprovarem estarão acabando com toda a vida existente no Cerrado - disse o coordenador.
O primeiro monitoramento do desmatamento do Cerrado brasileiro, realizado pelo Ministério do Meio Ambiente, mostra que a devastação do bioma é duas vezes maior que a da Amazônia. Para Santos, as condições naturais do Cerrado favorecem o desrespeito com a sua proteção. - Os outros biomas são de florestas altas, já o Cerrado é de mata baixa. Por não ter grandes florestas, o Cerrado é considerado fronteira agrícola, o que faz com que as pessoas o destruam com mais intensidade e sem peso na consciência - acrescentou.
Já em recursos hídricos, o coordenador ressalta que o Cerrado leva vantagem sobre os outros biomas. - Setenta por cento da água doce brasileira nascem no Cerrado. O Cerrado É uma "caixa d''água" que distribui o recurso para os outros biomas. Mesmo com uma seca de oito meses, os frutos florescem em alta escala. Além de ser uma fonte de renda, é uma garantia de alimentação para os povos que vivem no bioma - concluiu.